INCIDÊNCIA DE LESÃO POR PRESSÃO EM CIRURGIAS PROLONGADAS: FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO
Palavras-chave:
Lesão por pressão, Período perioperatório, Posicionamento do paciente, Centro cirúrgico, EstomaterapiaResumo
Objetivo
Avaliar a incidência de lesão por pressão (LP) em pacientes submetidos a cirurgias prolongadas no centro cirúrgico, identificar fatores de risco associados e descrever as medidas preventivas adotadas pela equipe de enfermagem.
Método
Estudo descritivo, retrospectivo, documental, de abordagem quantitativa, realizado de março a setembro de 2025 em hospital privado de grande porte. Foram incluídos pacientes submetidos à cirurgia com duração superior a quatro horas e com idade ≥18 anos, sendo excluídos aqueles com LP prévia à admissão no centro cirúrgico. A amostra foi composta por 2.938 pacientes, no período de 2020 a 2022. Foram analisadas variáveis demográficas, clínicas e cirúrgicas, aplicação da Escala ELPO, medidas preventivas registradas e ocorrência de LP no intra e pós-operatório (até cinco dias). Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 7.500.711; CAAE 85693824.0.0000.5128).
Resultados
A incidência de LP foi de 0,24% (n=7). Observou-se maior ocorrência em pacientes com idade ≥70 anos, predominantemente do sexo masculino, submetidos principalmente a cirurgias ortopédicas de longa duração. O tempo cirúrgico médio entre os pacientes acometidos foi superior ao da amostra geral, evidenciando sua associação com o risco de LP. No contexto perioperatório, houve predomínio de anestesia geral e posicionamento em decúbito supino. As lesões foram majoritariamente classificadas como estágio 1, com predominância na região sacral. A Escala ELPO foi registrada na maioria dos prontuários, porém com preenchimento incompleto em variáveis relevantes, como tipo de anestesia e comorbidades, comprometendo a acurácia da estratificação de risco. Destaca-se que pacientes que desenvolveram LP apresentaram escores classificados como baixo risco, sugerindo subestimação do risco clínico ou inconsistências na aplicação do instrumento. As medidas preventivas mais frequentemente registradas incluíram o uso de superfícies de suporte viscoelásticas associadas a coxins. Contudo, observou-se ausência de padronização e detalhamento nos registros, limitando a avaliação da adequação e efetividade das intervenções. Evidenciou-se, ainda, elevada subnotificação, tanto das medidas preventivas quanto da ocorrência de LP no intra e pós-operatório, indicando fragilidades nos registros assistenciais.
Conclusão
A incidência de LP foi baixa, porém possivelmente subestimada devido à inconsistência dos registros. Fatores como idade avançada, tempo cirúrgico prolongado, tipo de anestesia e posicionamento estiveram associados ao desenvolvimento de LP. A Escala ELPO mostrou-se como ferramenta relevante, porém dependente de aplicação adequada. Reforça-se a necessidade de qualificação dos registros e fortalecimento das estratégias preventivas no perioperatório.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O estudo reforça a importância da atuação da equipe de enfermagem na prevenção e monitoramento das LP no contexto cirúrgico, evidenciando fragilidades nos registros, na aplicação da Escala ELPO e na padronização das medidas preventivas. Embora não haja atuação direta do Enfermeiro Estomaterapeuta no cenário investigado, a Estomaterapia configura-se como área estratégica de apoio técnico-científico, contribuindo para a elaboração de protocolos, capacitação das equipes e monitoramento de indicadores relacionados à integridade cutânea. A integração entre prática assistencial e conhecimento especializado favorece a qualificação do cuidado, a redução de eventos adversos e o fortalecimento da segurança do paciente no perioperatório.
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Referências
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