PERCEPÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES PORTADORES DE ESTOMIAS INTESTINAIS: UM ESTUDO TRANSVERSAL
Palavras-chave:
Estomaterapia, Qualidade de Vida, EstomiaResumo
Objetivo
Analisar a percepção da qualidade de vida de pacientes portadores de estomias intestinais.
Método
Estudo transversal(1) realizado em serviço secundário de saúde, no interior de São Paulo, responsável pela assistência de pacientes portadores de estomia, distribuição de acessórios e produtos adjuvantes. Considerando a população de 93 pacientes assistidos por este serviço, com um nível de confiança de 95% e erro amostral de 5%, o número amostral foi de 76 pacientes. Foram incluídos 77 indivíduos com idade maior ou igual a 18 anos, portadores de estomias intestinais de qualquer segmento, alfabetizados, habilitados a responder ao questionário sozinhos. Os critérios de exclusão abrangeram pacientes com alterações cognitivas que impossibilitaram a comunicação, indivíduos que não possuíam acesso a ligação telefônica ou com dificuldade de deslocamento ao serviço.
A coleta de dados foi realizada com um tablet por meio da plataforma REDCAP(2), durante a consulta de enfermagem ou por meio de ligação telefônica. Foram aplicados dois questionários, o primeiro para caracterização sociodemográfica e o segundo instrumento “City of Hope-Quality of Life-Ostomy Questionnaire” (COH-QOL-OQ), instrumento validado nacionalmente que avalia quatro dimensões: bem-estar físico, psicológico, social e espiritual(3).
Os dados obtidos foram organizados e analisados por meio de estatística descritiva e inferencial, com o uso do software SAS para Windows v.9.4.
O estudo foi conduzido respeitando os princípios éticos de pesquisa com seres humanos, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (nº do parecer: 7.462.550).
Resultados
A amostra foi composta por 77 pacientes. Quando avaliado o instrumento COH-QOL-OQ, observou-se que o domínio do bem-estar espiritual apresentou a maior média de qualidade de vida 7,35 (DP=1,68), contraponto ao domínio do bem-estar social, que apresentou a média de 6,16 (DP=1,75). A média do escore total de qualidade de vida foi de 6,59 (DP=1,42).
Quanto à análise inferencial, os participantes com mais de 50 anos apresentaram escores maiores nos domínios do bem-estar físico (p<0,0001), psicológico (p=0,039) e social (p=0,040), bem como no escore total (p=0,006). No que se refere ao domínio de bem-estar físico, identificou-se diferença estatisticamente significativa para as variáveis de estado civil (p=0,040), escolaridade (p=0,026) e renda familiar (p=0,017). Em relação ao tipo de estomia intestinal, os participantes com colostomia (6,82; Dp=1,31) apresentaram percepção de qualidade de vida maior (p=0,046) que aqueles com ileostomia (6,15; DP=1,54).
Conclusão
Neste estudo, o domínio social foi o mais comprometido, enquanto o domínio espiritual apresentou os maiores escores. As variáveis sociodemográficas influenciaram principalmente o domínio do bem-estar físico, sendo que os pacientes com ileostomia apresentaram uma menor percepção de qualidade de vida. Desta forma, tanto os fatores clínicos, quanto os aspectos sociodemográficos podem influenciar a qualidade de vida de portadores de estomias intestinais.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Em suma, este estudo contribui para a prática em estomaterapia ao descrever os domínios da qualidade de vida mais comprometidos, subsidiando o desenvolvimento de ações assistenciais direcionadas às reais necessidades dos pacientes com estomias intestinais.
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Referências
Wang X, Cheng Z. Cross-Sectional Studies: Strengths, Weaknesses, and Recommendations. Chest. 2020 Jul;158(1S):S65–S71. doi: 10.1016/j.chest.2020.03.012.
Santos VLCG, Gomboski G, Freitas NO, Grant M. Adaptation of the City of Hope- Quality of Life-Ostomy Questionnaire from English to Brazilian Portuguese: a validation study. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2021 Jan-Feb;48(1):44-51.
Harris PA, Taylor R, Minor BL, Elliott V, Fernandez M, O’Neal L, et al. The REDCap consortium: Building an international community of software platform partners. J Biomed Inform. 2019 Jul; 95:103208.


