PLATAFORMA VIRTUAL: USABILIDADE E ACEITABILIDADE NO CUIDADO DE CRIANÇAS EM UM AMBULATÓRIO

Autores

  • Victória Fernandes Deliberali
  • Andrea De Jesus Zangiacomi Universidade Federal de São Carlos
  • Gisele Martins Universidade de Brasília
  • Gustavo Tonin
  • Maria Eduarda Lima Martins Universidade Federal de São Carlos
  • Laís Fumincelli Universidade Federal de São Carlos

Palavras-chave:

Estomaterapia, Saúde digital, Saúde da criança, Urologia, Enfermagem

Resumo

Objetivo

Descrever o nível da usabilidade e da aceitabilidade de uma plataforma virtual durante consultas de Enfermagem em um Ambulatório.

Método

Estudo descritivo, observacional, transversal, de abordagem quantitativa, realizado em um Ambulatório de Enfermagem em Reabilitação, durante as consultas de enfermagem, em um Hospital Universitário vinculado a uma universidade pública, no interior do Estado de São Paulo. Foram incluídas crianças na faixa etária de zero a 14 anos¹, em atendimento neste Ambulatório, com quadro de Disfunção vesical e intestinal (DVI) e/ou tratamento dos sintomas urinários e/ou intestinais², além de seus cuidadores responsáveis. Seguido os preceitos éticos, os participantes tiveram acesso à plataforma virtual, gratuita voltada ao autocuidado apoiado em uropediatria. No retorno ambulatorial, após 15 dias, foram aplicados dois instrumentos: a Escala de Usabilidade do Sistema (System Usability Scale – SUS)³ e um questionário de aceitabilidade elaborado pelos pesquisadores. A SUS é composta por 10 itens em escala Likert de 1 a 5, avaliando facilidade de uso, consistência e confiança no sistema. O escore varia de 0 a 100, sendo considerado ponto de corte ≥68 para alta usabilidade. A aceitabilidade foi avaliada por meio de questionário com cinco questões relacionadas à utilidade, clareza das informações, adequação dos recursos visuais e recomendação da plataforma, com respostas em escala Likert. O escore total varia de 5 a 25, sendo considerado >20 indicativo de alta aceitabilidade. Os escores foram calculados conforme as recomendações da literatura.

Resultados

Participaram do estudo 10 crianças e seus respectivos cuidadores. A média do escore da SUS foi de 82,2 pontos, valor significativamente superior ao ponto de corte estabelecido, indicando alta usabilidade da plataforma. Esse resultado sugere que a plataforma virtual foi percebida como de fácil navegação, compreensível e adequada ao perfil dos usuários. Em relação à aceitabilidade, os escores variaram entre 23 e 25 pontos, evidenciando elevada aceitação entre os participantes. Destacaram-se positivamente aspectos como a utilidade das orientações fornecidas, a clareza das informações apresentadas e a intenção de recomendação da plataforma para outros cuidadores. Os achados indicaram boa adesão ao uso da tecnologia e potencial para incorporação na prática clínica.

Conclusão

A plataforma virtual apresentou elevados níveis de usabilidade e aceitabilidade, configurando-se como uma ferramenta acessível, prática e alinhada às necessidades de crianças com DVI e seus cuidadores. Sua utilização no contexto ambulatorial demonstrou potencial para qualificar o cuidado de enfermagem, favorecer a adesão ao tratamento e fortalecer o autocuidado apoiado. Assim, a plataforma se destaca como uma estratégia inovadora no manejo clínico em uropediatria, contribuindo para a melhoria da qualidade da assistência e dos desfechos em saúde.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

A plataforma virtual contribui para a estomaterapia ao ampliar estratégias de autocuidado apoiado em uropediatria, favorecendo a educação em saúde, o acompanhamento contínuo e a atuação do enfermeiro na reabilitação de crianças com DVI.

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Biografia do Autor

Andrea De Jesus Zangiacomi, Universidade Federal de São Carlos

Graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF, 1999). Realizou Especializações em Enfermagem Obstétrica na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB, 2003) e em Atenção Básica em Saúde da Família na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2011). Realiza Pós-Graduação Lato Sensu em Enfermagem em Estomaterapia na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) desde 2024. É Enfermeira assistencial no Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar/EBSERH), da Unidade de Clínica Médica e Cirúrgica. Participa de Projetos de Extensão na linha de Reabilitação Neuropsicomotora: estratégias interdisciplinares para autonomia e autocuidado ao longo do ciclo da vida (Ambulatório de Enfermagem em Reabilitação Neuropsicomotora), desde 2022. Tem experiência profissional na assistência de enfermagem e gerenciamento em Saúde da Família, assim como em Enfermagem ambulatorial e hospitalar na Urgência e emergência, e em atenção especializada à saúde da mulher.

Gisele Martins, Universidade de Brasília

Possui graduação em Enfermagem (2001) pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), mestrado (2004) e doutorado (2009) em Ciências da Saúde pela FAMERP (eixo temático: Urologia Materno-Infantil), com período de Doutorado Sanduíche (2008) na Faculty of Nursing, University of Alberta, Canadá. Realizou seu primeiro pós-doutorado (2014), na Divisão de Urologia do Hospital for Sick Children (Sick Kids), afiliado à Faculty of Medicine, University of Toronto, e seu segundo pós-doutorado (2018), na Ingram School of Nursing/McGill University, Montreal, Canadá. É Professora Associada do Departamento de Enfermagem, Faculdade de Ciências da Saúde, da Universidade de Brasília (UnB). Eleita como membro afiliado à Society for Pediatric Urology (SPU) e membro da Pediatric Urology Nurse Specialists (PUNS), atuando no eixo de pesquisa denominado de Research Special Interest Group (Research SIG). Fundadora e coordenadora por 10 anos do Projeto de Extensão de Ação Contínua (PEAC): Prática Avançada de Enfermagem em Uropediatria (2013-2022). É docente e orientadora do Curso de Mestrado e Doutorado em Enfermagem (PPGEnf/UnB). Líder do grupo de pesquisa: Atenção à saúde urológica nos ciclos de vida e vice-líder do Grupo de Estudos em Saúde da Criança, Adolescente e Família (GESCAF), ambos cadastrados no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq. O grupo de pesquisa: Atenção à saúde urológica nos ciclos de vida visa contribuir na formação da próxima geração de pequisadores da Universidade de Brasília (PPGENF/UnB). Tem atuado, particularmente na área de Enfermagem Pediátrica, sendo fundadora e líder da linha de pesquisa de Prática Avançada de Enfermagem em Uropediatria, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf/UnB). Essa linha de pesquisa está delineada para atender enfermeir@s-cientistas que estão interessad@s em promover excelência e inovação na avaliação, diagnóstico e manejo de sintomas urinários e intestinais durante a infância e adolescência na era da saúde digital. É uma das únicas enfermeiras-pesquisadoras da área de Urologia Pediátrica do Brasil, tendo alcançado sua expertise tanto clínica quanto científica, por meio de treinamentos e capacitações sistemáticas no país e no exterior.

Gustavo Tonin

Graduando do curso de Enfermagem na Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Integrante do projeto de extensão "Ambulatório de enfermagem em reabilitação neuropsicomotora" no Hospital Universitário (HU-UFSCar). Ligante da Empresa Junior de Enfermagem (Salus Jr.), assim, integrado na pasta Administrativa, Jurídica e Financeira (AJF).

Maria Eduarda Lima Martins, Universidade Federal de São Carlos

Graduanda em Enfermagem pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Participou da Liga Acadêmica Interdisciplinar de Oncologia (LIMONCO - 2022 - 2023). Participou como voluntária do Projeto Pontinha (2023). Atual Coordenadora Geral do Centro Acadêmico de Enfermagem (CAEnf, 2022 - atual), membro da Liga de Enfermagem em Urgência e Emergência (LAUEE, 2023 - atual), membro do Ambulatório de Enfermagem em Reabilitação Neuropsicomotora (2023 - atual) no Hospital Universitário, HU-EBSERH/UFSCar, membro do grupo de pesquisas LASARE (2024 - atual).

Laís Fumincelli, Universidade Federal de São Carlos

Enfermeira graduada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP) em 2011. Doutora pelo Programa de Enfermagem Fundamental da EERP-USP (2016). Estágio de Pós-doutorado na Universidade de Brasília (UnB) (2023-2024), bolsista de Pós-doutorado Sênior - CNPq, sob supervisão da Profa. Dra. Gisele Martins. Exerceu a função de enfermeira no Hospital Escola Municipal - Prof. Dr. Horácio Carlos Panepucci, de São Carlos-SP, e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. É vice-líder do grupo de pesquisa ''Atenção à saúde urológica nos ciclos de vida'' (UnB) e membro do grupo de pesquisa ''Núcleo de Avaliação e Educação em Saúde'' (UFSCar). Tem experiência na área de Ciências da Saúde e Enfermagem, com ênfase em Qualidade de Vida, Eliminações Urinárias e Intestinais, Cateterismo Urinário, Estomais de Eliminação, Enfermagem em Reabilitação, Prática Avançada de Enfermagem e Simulação no Ensino e na Pesquisa. Atualmente, está como Professora Adjunta no Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf) da UFSCar. Coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e da Pessoa Idosa (PRMSAI/UFSCar) (2025-atual).

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.130, de 5 de agosto de 2015. Institui a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2015 [citado 2026 abr 2]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2015/prt1130_05_08_2015.html⁠

NIEUWHOF-LEPPINK A. J.; et al. Elevating pediatric urology care: The crucial role of nursing research in quality improvement. Journal of Pediatric Urology, 02 fev. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jpurol.2024.01.032. Acesso em: 9 abr. 2024.

Martins AI, et al. European Portuguese validation of the System Usability Scale (SUS). Procedia Comput Sci. 2015;67:293-300.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Fernandes Deliberali, V., De Jesus Zangiacomi, A., Martins, G., Tonin, G., Lima Martins, M. E., & Fumincelli, L. (2026). PLATAFORMA VIRTUAL: USABILIDADE E ACEITABILIDADE NO CUIDADO DE CRIANÇAS EM UM AMBULATÓRIO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2515