PELE DE TILÁPIA LIOFILIZADA COMO ALTERNATIVA TERAPÊUTICA PARA CRIANÇAS QUEIMADAS: UM ESTUDO DE CASO

Autores

  • Sarah Beatriz Pinto Bezerra
  • Edmar Maciel Lima Júnior
  • Francisco Raimundo Silva Junior
  • Felipe Augusto Rocha Rodrigues
  • Icaro Osterne Bezerra
  • Jéssica De Queiroz Bandeira Fernandes
  • Manoel Odorico De Moraes Filho
  • Camila Barroso Martins

Palavras-chave:

Estomaterapia, Queimaduras, Tilápia do Nilo, Materiais Biocompatíveis

Resumo

Objetivo

Descrever o uso clínico da pele de tilápia liofilizada como alternativa terapêutica para crianças queimadas.

Desenvolvimento

A pele de tilápia mostrou-se uma inovação no tratamento de queimaduras devido a sua compatibilidade histológica com a pele humana, rica em colágeno tipo 1, tornando-se uma alternativa mais econômica e trazendo benefícios, como a diminuição da dor e das trocas de curativo¹. Nesse contexto, as crianças e jovens são um público propício a acidentes domésticos envolvendo queimaduras, sendo estas, capazes de causar sequelas graves, podendo, inclusive, ocasionar a morte²,³. Este estudo trata-se de um relato de caso de um paciente voluntário da pesquisa clínica intitulada como: avaliação da eficácia da pele de tilápia (Oreochromis niloticus) como curativo biológico oclusivo no tratamento de queimaduras: ensaio clínico com crianças, em fase II, monocêntrica e randomizada ao acaso, com controle ativo, em uso da pele de tilápia liofilizada em queimadura de espessura parcial superficial. A intervenção foi realizada em uma unidade de tratamento para queimados, localizada em Fortaleza-Ceará. O projeto, em conformidade com a Resolução 466/2012, foi aprovado no Comitê de Ética sob o número 1.956.945. O caso clínico refere-se ao paciente, J.M.M.S, 12 anos, sexo masculino, queimadura por escaldadura, afetando tronco superior, totalizando 8% de superfície corpórea queimada (SCQ). Após a anamnese, avaliação clínica e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pela responsável legal, iniciou-se o protocolo terapêutico. No primeiro momento foi realizada a limpeza da área afetada com solução antisséptica, seguido pela aplicação de 12 peles de tilápia como curativo primário. Para o curativo secundário, utilizaram-se gazes acolchoadas e ataduras. O paciente e o responsável legal receberam todas as orientações necessárias, durante o período de internação. Ao longo do tratamento, não foram realizadas trocas de curativo primário, apenas do secundário (gazes e atadura), procedimento essencial para avaliação da área.  O tratamento com a pele de tilápia foi eficaz em reduzir as trocas de curativos e frequência de banho sob anestesia, consequentemente, houve diminuição do estímulo doloroso, dos riscos infecciosos e de complicações associadas à sedação. O desfecho clínico evidenciou a completa cicatrização da área queimada em 10 dias.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 A pele de tilápia surge como uma solução inovadora para o tratamento de queimados, trazendo maior conforto ao paciente, conforme o cerne do cuidado à pessoa com lesões, deve-se buscar o maior conforto possível. Com a utilização desse biomaterial, otimiza-se o cuidado, através de um processo de cicatrização mais ágil e muito menos doloroso, contribuindo assim para a assistência prestada pelo profissional estomaterapeuta e por toda a equipe de cuidados. 

 

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Referências

Lima Junior EM, Mendoza Hernandez EN, Martins CB, Silva Junior FR, Rodrigues FAR, Paier CRK, Moraes Filho MO. Pele de tilápia como xenoenxerto biológico em queimaduras: da pesquisa científica à prática clínica. Revista Argentina de Quemaduras. 2025;35(2):1-9.

Barcelos RS, Gallo LG, Tirelli KM, Gregori D, Da Dalt L. Acidentes por quedas, cortes e queimaduras em crianças de 0-4 anos: coorte de nascimentos de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 2004. Cad Saúde Pública. 2017;33:e00139115.

Lima-Junior EM, Picollo NS, Miranda MJB, Ribeiro WLC, Alves APNN, Ferreira GE, Parente EA, Moraes-Filho MO. Uso da pele de tilápia (Oreochromis niloticus) como curativo biológico oclusivo no tratamento de queimaduras. Rev Bras Queimaduras. 2017;16(1):10-17.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Bezerra, S. B. P., Maciel Lima Júnior, E., Silva Junior, F. R., Rocha Rodrigues, F. A., Osterne Bezerra, I., De Queiroz Bandeira Fernandes, J., De Moraes Filho, M. O., & Barroso Martins, C. (2026). PELE DE TILÁPIA LIOFILIZADA COMO ALTERNATIVA TERAPÊUTICA PARA CRIANÇAS QUEIMADAS: UM ESTUDO DE CASO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2521