COORDENAÇÃO DO CUIDADO E TERAPIAS ADJUVANTES EM FERIDAS COMPLEXAS: RELATO DE CASO EM ONCOLOGIA
Palavras-chave:
Infecção da ferida; Enfermagem oncológica; Equipe multiprofissional; Estomaterapia.Resumo
Objetivo
Descrever a coordenação do cuidado e o uso de terapias adjuvantes no manejo de feridas complexas em paciente oncológico, destacando a atuação da estomaterapia na qualificação da assistência e nos desfechos clínicos.
Desenvolvimento
Trata-se de estudo descritivo, tipo relato de caso, realizado em um Cancer Center em São Paulo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (RC142/25), em 15 de julho de 2025. Paciente masculino, 45 anos, previamente hígido, com histórico de adenocarcinoma de reto médio/alto tratado cirurgicamente em 2023, evoluiu, em novembro do mesmo ano, com sepse grave secundária a extensa coleção pélvica por deiscência de anastomose colorretal baixa. A infecção disseminou-se pelo forame isquiático, acometendo região glútea, coxa e membro inferior esquerdo, culminando em fasceíte necrosante. Foi submetido à laparotomia exploradora com colostomia em transverso proximal, seguida de nove desbridamentos cirúrgicos seriados.
As feridas extensas, com exposição óssea e muscular, tecido necrótico e exsudato abundante, foram manejadas com terapia por pressão negativa (TPN) em múltiplos sítios, com trocas seriadas em centro cirúrgico. Apesar de desafios técnicos relacionados à vedação, houve progressiva formação de tecido de granulação viável. Após estabilização clínica e alta da terapia intensiva, o paciente foi submetido a dois enxertos cutâneos na coxa esquerda, mantendo TPN sobre os enxertos.
Com evolução favorável, a TPN foi gradualmente suspensa e instituída laserterapia de baixa potência como terapia adjuvante para modulação inflamatória e estímulo à cicatrização. Áreas de hipergranulação foram tratadas com ácido tricloroacético a 50%. A ferida sacral manteve TPN por período mais prolongado, evoluindo posteriormente para curativos convencionais. O paciente recebeu alta hospitalar em abril de 2024, com seguimento ambulatorial especializado.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A coordenação do cuidado e a utilização de terapias adjuvantes foram fundamentais para o manejo eficaz das feridas complexas. Destaca-se o papel estratégico da estomaterapia nas dimensões assistencial, técnica, organizacional e centrada no paciente, incluindo avaliação especializada das feridas, indicação e manejo de tecnologias, padronização de condutas, articulação entre equipes e educação do paciente. A atuação integrada com equipe multiprofissional contribuiu para o controle da infecção, preservação da vida, recuperação funcional e promoção da qualidade de vida. Os achados reforçam a importância da estomaterapia na liderança do cuidado e na melhoria dos desfechos clínicos em cenários de alta complexidade.
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Referências
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