IMPLANTAÇÃO DE PROTOCOLO DE MARSI: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Lesões por adesivos;, Segurança do paciente;, Enfermagem;, Estomaterapia;, Protocolos clínicos.Resumo
Objetivo
Relatar a experiência da implementação de um protocolo institucional de prevenção e manejo de MARSI em um hospital público de urgência, sob a perspectiva da enfermagem.
Desenvolvimento
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, vivenciado por enfermeiras integrantes da Comissão de Pele de um hospital público de alta complexidade no estado de Sergipe, no ano de 2025.
A implementação ocorreu em etapas: diagnóstico situacional da prática assistencial; revisão de literatura baseada em diretrizes da SOBEST, SOBENDE e consenso internacional sobre MARSI; elaboração do protocolo institucional; validação multiprofissional; capacitação da equipe de enfermagem; e implantação nas unidades assistenciais, com monitoramento inicial de adesão.
Durante o diagnóstico inicial, identificaram-se fragilidades relacionadas ao uso indiscriminado de adesivos, ausência de critérios para seleção de coberturas e técnicas inadequadas de remoção, contribuindo para a ocorrência de lesões cutâneas evitáveis.
A implementação do protocolo possibilitou a padronização das práticas assistenciais, com destaque para a adoção de critérios clínicos na escolha de adesivos, priorização de tecnologias atraumáticas, como adesivos de silicone, e incorporação de medidas preventivas, como uso de barreiras protetoras e técnicas adequadas de remoção.
As ações de educação permanente favoreceram maior sensibilização da equipe quanto à importância da prevenção de MARSI, reduzindo resistências iniciais e promovendo maior adesão às recomendações institucionais. Observou-se, ainda, melhoria na qualidade dos registros assistenciais e maior discussão interdisciplinar sobre o cuidado com a pele.
Embora em fase inicial, os impactos percebidos incluem fortalecimento da cultura de segurança do paciente, maior protagonismo da enfermagem na condução de práticas baseadas em evidências e valorização do cuidado com a pele como indicador de qualidade assistencial.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A implementação do protocolo de prevenção e manejo de lesões cutâneas relacionadas a adesivos (MARSI) evidenciou-se como uma estratégia eficaz para qualificação da assistência, promovendo maior segurança do paciente e padronização das práticas de cuidado com a pele em ambiente de urgência e emergência. A experiência demonstrou que a incorporação de evidências científicas à prática clínica, aliada à educação permanente, favorece mudanças significativas no processo de trabalho da equipe de enfermagem.
Destaca-se que, mesmo diante de desafios como resistência inicial da equipe e limitações inerentes ao contexto assistencial, foi possível avançar na adoção de condutas mais seguras, com valorização da avaliação do risco, uso racional de tecnologias e aprimoramento das técnicas de aplicação e remoção de adesivos.
Para a estomaterapia, o estudo reforça o papel estratégico do enfermeiro especialista como protagonista na prevenção de lesões cutâneas evitáveis, na implementação de protocolos institucionais e na disseminação de práticas baseadas em evidências. Além disso, evidencia a relevância da atuação das Comissões de Pele como dispositivos organizacionais capazes de impactar positivamente os indicadores de qualidade assistencial e fortalecer a cultura de segurança do paciente.
Downloads
Referências
MCNULTY, A.; DRYDEN, M. et al. Medical adhesive-related skin injury (MARSI): consensus statement for the prevention of medical adhesive-related skin injury. Journal of Wound Care, v. 22, n. 9, 2013.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTOMATERAPIA (SOBEST). Diretrizes de boas práticas em estomaterapia: prevenção de lesões cutâneas relacionadas a adesivos. São Paulo: SOBEST, 2021.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM DERMATOLÓGICA (SOBENDE). Protocolos assistenciais em enfermagem dermatológica. São Paulo: SOBENDE, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do paciente em serviços de saúde: eventos adversos relacionados à assistência. Brasília: MS, 2017.


