A COMUNICAÇÃO NO PÓS-OPERATÓRIO PARA A QUALIDADE DE VIDA DO PACIENTE TRAQUEOSTOMIZADO.

Autores

  • Ingrid Camili Gelinski Stachera Pontifica Universidade Católica do Paraná
  • Gabriele Aparecida Alvaristo Da Rocha Centro Universitário Santa Cruz de Curitiba
  • Francisco José Koller Hospital de Clínicas Universidade Federal do Paraná

Palavras-chave:

Traqueostomia; Comunicação em saúde; Período pós-operatório; Estomaterapia

Resumo

Objetivo

Evidenciar as fragilidades da comunicação relatadas pelos pacientes traqueostomizados no pós-operatório de cirurgia oncológica

Método

Estudo qualitativo realizado num hospital de referência em oncologia na Região Sul do Brasil, com pacientes no pós-operatório submetidos a cirurgia oncológica de cabeça e pescoço. Os pacientes foram entrevistados com sete dias de alta hospitalar, no período de março a junho de 2025, com uso de dispositivo de traqueostomia metálica, de ambos os sexos e classificados nos níveis um a três de funcionalidade da European Organization for Research and Treatment of Cancer. As entrevistas foram gravadas e transcritas para o Microsoft Word para aplicabilidade da Análise de Bardin. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, sob parecer nº 7.364.600.

Resultados

Foram obtidas dez entrevistas, com predominância do sexo masculino (n=6; 60%), faixa etária entre 46 e 65 anos (n=6; 60%), renda familiar de um a três salários-mínimos (n=8; 80%), na raça/cor autodeclarados brancos (n=6; 60%). A análise das transcrições das entrevistas possibilitou a construção de três categorias, conforme a similaridade dos conteúdos apresentados em relação às orientações recebidas no pós-operatório. Cada categoria reflete aspectos centrais nas experiências dos pacientes e permite-se compreender suas experiências, dificuldades e estratégias de enfrentamento durante o período pós-cirúrgico. As categorias foram: a comunicação com o seu corpo (enfatizado nas conversas “Falaram que era para fazer a limpeza e curativo da traqueo duas vezes por dia e trocar o cordão, mas não tive dinheiro pra comprar...”; “Até hoje é muito difícil falar e respirar” e “Enfatizam muito medo de mexer em casa principalmente”). A segunda categoria foi a fragilidade da comunicação com a equipe de saúde (destacado pelas frases “Não teve informação nenhuma nesta última vez porque foi tudo de emergência”, “Foi muito difícil pois menciona sair da UTI e no outro dia já tive alta, com tudo aquilo... não entendeu muito, estava tenso e com medo” e “Eu sou diarista e não sou médica, para mim é difícil entender os termos que eles usam.” A terceira categoria retrata sobre a dificuldade de comunicar-se com a família e sociedade (evidenciou “Melhorar e passar por uma cirurgia plástica para melhorar o rosto e poder sair em público porque é muito horrível desse jeito” e “Não aceita muito a situação... fico muito triste, estou retalhado”.

Conclusão

O processo de comunicação é essencial na reabilitação do paciente, devido as alterações anatômicas e sociais que serão refletidas no retorno ao domicílio, pois as condutas fornecidas pelo enfermeiro estomaterapeuta em todas as fases do perioperatório tem a tendência de atenuar e diminuir os riscos de complicações no pós-operatório e principalmente criar um elo de sustentabilidade para a melhoria da qualidade de vida.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

A estomaterapia desempenha papel fundamental no cuidado a pacientes traqueostomizados no pós-operatório, contribuindo de forma significativa para a prevenção de complicações, promoção da reabilitação e melhoria da qualidade de vida. Por meio de uma abordagem especializada e sistematizada, o enfermeiro estomaterapeuta atua na avaliação contínua do estoma. 

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Biografia do Autor

Ingrid Camili Gelinski Stachera, Pontifica Universidade Católica do Paraná

 Enfermeira Navegadora e Referência das Especialidades Gastroenterologia, Urologia e Tórax do Hospital Erasto Gaertner . Pós Graduanda em Oncologia pela PUCPR. Voluntária no Projeto de Extensão Atendimento de Saúde e Enfermagem aos Participantes com Estomas Respiratórios. Atualmente apoio tecnico da Liga de Enfermagem em Estomaterapia (LAENFE/UFPR)

Gabriele Aparecida Alvaristo Da Rocha, Centro Universitário Santa Cruz de Curitiba

Enfermeira, pós-graduanda em Centro Cirúrgico e Central de Material e Esterilização.

Em desenvolvimento de pesquisas nas áreas de saúde mental, centro cirúrgico, oncologia e aprimoramento contínuo das práticas em saúde.

Francisco José Koller, Hospital de Clínicas Universidade Federal do Paraná

Doutor em Enfermagem pela Universidade Federal do Paraná (2023). Mestre em Enfermagem (2015). Especialista em Enfermagem Oncológica (2023), Gestão de Serviços de Saúde (2009) e Enfermagem em Centro Cirúrgico (2006). Membro do Grupo Multidisciplinar em Saúde do Adulto (UFPR). Enfermeiro do Centro Cirúrgico do Complexo do Hospital das Clínicas da UFPR e Docente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Santa Cruz. Atuação em em saúde do idoso, enfermagem cirúrgica, enfermagem em centro cirúrgico, segurança do paciente, enfermagem oncológica e gestão em saúde.

Referências

Bardin L. Análise de conteúdo. Rio de Janeiro (RJ): Edições 70; 1977.

Caruso P. Impacto psicossocial do câncer de cabeça e pescoço na qualidade de vida de pacientes oncológicos. Rev Bras Enferm. 2020;73(6):e20190123. doi:10.1590/0034-7167-2019-0123.

Araújo AC, Oliveira GM, Gusmão ME. Vivência do paciente traqueostomizado: desafios na comunicação e adaptação. Rev Enferm UERJ. 2021;29:e58936. doi:10.12957/reuerj.2021.58936.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Gelinski Stachera, I. C., Aparecida Alvaristo Da Rocha, G., & José Koller, F. (2026). A COMUNICAÇÃO NO PÓS-OPERATÓRIO PARA A QUALIDADE DE VIDA DO PACIENTE TRAQUEOSTOMIZADO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2531