INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ESTOMATERAPIA: MODELO CONCEITUAL PARA USO ÉTICO E SEGURO

Autores

  • Edson Diniz

Palavras-chave:

Estomaterapia; Inteligência Artificial; Bioética; Tomada de Decisão Clínica; Proteção de Dados.

Resumo

Objetivo

Apresentar um modelo conceitual para orientar o uso ético, seguro e clinicamente fundamentado da Inteligência Artificial (IA) na prática da estomaterapia, articulando princípios bioéticos, governança de dados e responsabilidade profissional.

Desenvolvimento

 

Trata-se de um ensaio teórico-conceitual fundamentado em literatura contemporânea sobre bioética, governança digital e decisão clínica em saúde. A incorporação de sistemas de IA — incluindo modelos generativos e ferramentas de análise de imagem — tem ampliado o suporte cognitivo na prática clínica, porém introduz riscos associados a vieses algorítmicos, opacidade decisória, geração de informações potencialmente imprecisas e transferência indevida de responsabilidade. No contexto da estomaterapia, marcado por decisões complexas e cuidado longitudinal, torna-se necessário estruturar critérios para uso responsável dessas tecnologias.

Propõe-se o Modelo 4E, composto por quatro dimensões interdependentes: (1) Exame Crítico, que envolve a avaliação da finalidade, limitações e riscos do sistema, prevenindo automatização acrítica; (2) Ética e Privacidade, que integra princípios de autonomia, beneficência, não maleficência e justiça às exigências de proteção de dados e segurança informacional; (3) Evidência e Coerência Clínica, que determina a confrontação das saídas algorítmicas com diretrizes científicas, plausibilidade fisiopatológica e metas terapêuticas; e (4) Exercício Profissional, que reafirma a responsabilidade técnica pela decisão final, exigindo documentação, rastreabilidade e monitoramento do uso. O modelo organiza riscos epistemológicos, normativos, clínicos e de responsabilização em uma estrutura aplicável à prática e potencialmente convertível em instrumentos operacionais, como checklists e rubricas formativas.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 O Modelo 4E oferece base conceitual para qualificar a incorporação da Inteligência Artificial na estomaterapia, preservando segurança clínica e integridade informacional, sem deslocar a responsabilidade profissional. Ao estruturar critérios para exame crítico, governança ética, validação clínica e exercício profissional, o modelo reforça que, mesmo em cenários de elevada complexidade tecnológica, a decisão permanece sob responsabilidade do enfermeiro estomaterapeuta. A incorporação da IA não desloca a responsabilidade decisória, mas amplia a exigência de competência crítica, supervisão humana e responsabilização técnica e ética. Recomenda-se a validação conceitual do modelo por especialistas e o desenvolvimento de instrumentos para sua operacionalização em contextos de formação e prática profissional, fortalecendo a governança decisória na prática especializada.

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Referências

World Health Organization. Ethics and governance of artificial intelligence for health. Geneva: WHO; 2021.

Beauchamp TL, Childress JF. Principles of biomedical ethics. 8th ed. New York: Oxford University Press; 2019.

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Shortliffe EH, Sepúlveda MJ. Clinical decision support in the era of artificial intelligence. JAMA. 2018;320(21):2199–2200.

Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Diniz, E. (2026). INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ESTOMATERAPIA: MODELO CONCEITUAL PARA USO ÉTICO E SEGURO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2534