FATORES ASSOCIADOS AO ATRASO NA BUSCA POR AJUDA EM MULHERES COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA: ESTUDO TRANSVERSAL

Autores

  • Marta Lira Goulart Universidade de São Paulo
  • Gisela Maria Assis Universidade de São Paulo
  • Vera Lúcia Conceição De Gouveia Santos Universidade de São Paulo

Palavras-chave:

Incontinência Urinária, Estomaterapia, Comportamento de Busca por Cuidados de Saúde, Itinerário Terapêutico

Resumo

Objetivo

Analisar o intervalo de tempo entre o reconhecimento dos sintomas de Incontinência Urinária e a busca por ajuda profissional, bem como identificar fatores associados ao atraso no acesso ao cuidado em mulheres com IU. 

Método

Estudo transversal analítico, realizado em um ambulatório público de uroginecologia na cidade de São Paulo, no período março a agosto de 2024. A amostra incluiu mulheres com diagnostico de IU. Os dados foram coletados por meio de entrevistas individuais com formulário semiestruturado. Foram incluídas variáveis sociodemográficos, clínicos e dados relacionados ao comportamento de busca por ajuda.  A análise de dados incluiu estatística descritiva e inferencial. Foram realizadas comparação entre grupos, correlação de Spearman e regressão logística multivariada para identificação de fatores associados ao comportamento de busca por ajuda. 

Resultados

Foram incluídas 145 mulheres. O tempo médio de conhecimento dos sintomas foi de 5,71 anos (mediana=4), enquanto o tempo médio até a busca por ajuda foi de 8,96 anos (mediana=7), evidenciando atraso entre reconhecer o problema e procurar assistência. Observou-se correlação fraca entre tempo até a busca por ajuda e impacto da IU (ρ=0,15). Entre os motivos para não buscar ajuda, destacaram-se “achar normal” perder urina (68,28%) e “esperar que os sintomas desaparecessem” (52,41%), enquanto vergonha (11,72%), pandemia (8,28%) e perda de emprego/convênio (3,45%) tiveram menor frequência. Na análise multivariada, considerar a IU como condição normal (p<0,001) e esperar melhora espontânea (p=0,007) foram fatores associados a não busca por ajuda, enquanto o impacto dos sintomas não apresentou associação significativo.  

Conclusão

A busca por ajuda em mulheres com IU ocorre após longo intervalo entre reconhecimento dos sintomas e a procura por assistência, caracterizando atraso no acesso ao cuidado. Esse atraso está associado principalmente a fatores cognitivos e perceptivos, como a normalização dos sintomas e a expectativa de melhora espontânea, enquanto o impacto na qualidade de vida não se mostrou determinante.  

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Os achados reforçam a necessidade de uma atuação proativa do enfermeiro, com rastreamento sistemático de sintomas urinários, mesmo na ausência de queixa espontânea. Evidenciam o papel central da educação em saúde na desconstrução da normalização IU e no fortalecimento de seu reconhecimento como condição tratável. Ao demonstrar que o atraso na busca por cuidado está mais relacionado à percepção e interpretação dos sintomas do que ao impacto funcional da IU, o estudo destaca a importância de estratégias educativas, preventivas e de identificação precoce. Dessa forma, contribui para a qualificação do acesso aos serviços de saúde e para o fortalecimento do estomaterapeuta como agente de promoção do cuidado oportuno e da saúde baseada em evidências. 

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Referências

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Goulart, M. L., Assis, G. M., & Santos, V. L. C. D. G. (2026). FATORES ASSOCIADOS AO ATRASO NA BUSCA POR AJUDA EM MULHERES COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA: ESTUDO TRANSVERSAL. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2544