DISTÂNCIA GEOGRÁFICA COMO DETERMINANTE DE ACESSO E VULNERABILIDADE CLÍNICA EM UM SERVIÇO DE ESTOMATERAPIA

Autores

  • Camila Castanho Cardinelli
  • Viviane Cristina Da Paz Torres
  • Simone Xavier Silva
  • Beatriz Guitton Renaud Baptista De Oliveira

Palavras-chave:

Estomaterapia, Estomias, Acesso à Saúde

Resumo

Objetivo

 Analisar a correlação entre a distância geográfica do município de origem e a incidência de complicações clínicas em pacientes com estomias, identificando o impacto do vazio assistencial na rede de saúde regional.

Método

Estudo retrospectivo e quantitativo realizado no Pólo I de Estomaterapia da Baixada Litorânea (Cabo Frio-RJ). A amostra contou com 416 prontuários. A coleta (setembro/2025 a janeiro/2026) analisou variáveis sociodemográficas e clínicas via SPSS 29.0. Utilizou-se análise de tendência por faixas de distância para cruzar a procedência do usuário com as intercorrências, respeitando a Resolução 466/12.

Resultados

Predominou o gênero masculino (52,4%) e idosos (48%). As neoplasias foram a principal etiologia (73%), com 80% de colostomias. Observou-se que 57,7% da amostra reside fora do município sede. Dos 163 pacientes com complicações, a maioria (54,6%) era de municípios adjacentes. Enquanto a sede apresentou 42% de complicações, o grupo mais distante (Grupo C – grupo com mais de 20 km de distância do município sede) revelou que a dificuldade de acesso reduz o acompanhamento preventivo, concentrando casos de maior complexidade no polo. Os dados confirmam que a distância geográfica é um determinante social que impõe barreiras ao acesso. A prevalência de complicações fora da sede revela um cenário de vulnerabilidade causado pela falha no diagnóstico precoce e pela carência de suporte técnico nas cidades de origem. O paciente, sem orientação adequada e enfrentando dificuldades de transporte, acaba por acessar o serviço especializado apenas em estágios avançados. Esse vazio assistencial transforma a barreira física em um risco clínico real, exigindo a descentralização do saber especializado.

Conclusão

A distância não deve ser um fator de risco. Um bom cuidado em Estomaterapia associado à integração dos dispositivos da Rede fazem com que se vença qualquer barreira física. É imperativo investir em educação permanente para que o suporte básico ocorra na ponta, garantindo a continuidade da assistência.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

O trabalho propõe o uso da telessaúde e do matriciamento para capacitar profissionais locais. Isso otimiza o fluxo de encaminhamentos, evita consultas desnecessárias e garante que a intervenção do estomaterapeuta ocorra de forma assertiva e oportuna.

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Biografia do Autor

Camila Castanho Cardinelli

Enfermeira Estomaterapeuta. Professora Assistente do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Faculdade de Enfermagem de Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

Viviane Cristina Da Paz Torres

Enfermeira Estomaterapeuta. Coordenadora do Pólo I - Serviço de Atenção à Pessoa com Estomia da Baixada Litorânea. CEO da Clínica de Enfermagem Integral Cabo Frio.

Simone Xavier Silva

Enfermeira (UVA). Enfermeira do Pólo I - Serviço de Atenção à Pessoa com Estomia da Baixada Litorânea. 

Beatriz Guitton Renaud Baptista De Oliveira

Professora Titular da Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa da Universidade Federal Fluminense. 

Referências

Kim S, Jeong HN. Examining the Impact of Telehealth Stoma Care Interventions on the Ostomates: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Nurs. 2026 Feb;35(2):621-630. doi: 10.1111/jocn.70037.

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Santos FL dos, Castanheira JS, Mota MS, Brum AN, Barlem JGT, Paloski G do R. Perfil de usuários de um serviço de estomaterapia: análise de cluster. Esc Anna Nery [Internet]. 2022;26:e20210307. doi:10.1590/2177-9465-EAN-2021-0307

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Castanho Cardinelli, C., Da Paz Torres, V. C., Xavier Silva, S., & Guitton Renaud Baptista De Oliveira, B. (2026). DISTÂNCIA GEOGRÁFICA COMO DETERMINANTE DE ACESSO E VULNERABILIDADE CLÍNICA EM UM SERVIÇO DE ESTOMATERAPIA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2546