DISTÂNCIA GEOGRÁFICA COMO DETERMINANTE DE ACESSO E VULNERABILIDADE CLÍNICA EM UM SERVIÇO DE ESTOMATERAPIA
Palavras-chave:
Estomaterapia, Estomias, Acesso à SaúdeResumo
Objetivo
Analisar a correlação entre a distância geográfica do município de origem e a incidência de complicações clínicas em pacientes com estomias, identificando o impacto do vazio assistencial na rede de saúde regional.
Método
Estudo retrospectivo e quantitativo realizado no Pólo I de Estomaterapia da Baixada Litorânea (Cabo Frio-RJ). A amostra contou com 416 prontuários. A coleta (setembro/2025 a janeiro/2026) analisou variáveis sociodemográficas e clínicas via SPSS 29.0. Utilizou-se análise de tendência por faixas de distância para cruzar a procedência do usuário com as intercorrências, respeitando a Resolução 466/12.
Resultados
Predominou o gênero masculino (52,4%) e idosos (48%). As neoplasias foram a principal etiologia (73%), com 80% de colostomias. Observou-se que 57,7% da amostra reside fora do município sede. Dos 163 pacientes com complicações, a maioria (54,6%) era de municípios adjacentes. Enquanto a sede apresentou 42% de complicações, o grupo mais distante (Grupo C – grupo com mais de 20 km de distância do município sede) revelou que a dificuldade de acesso reduz o acompanhamento preventivo, concentrando casos de maior complexidade no polo. Os dados confirmam que a distância geográfica é um determinante social que impõe barreiras ao acesso. A prevalência de complicações fora da sede revela um cenário de vulnerabilidade causado pela falha no diagnóstico precoce e pela carência de suporte técnico nas cidades de origem. O paciente, sem orientação adequada e enfrentando dificuldades de transporte, acaba por acessar o serviço especializado apenas em estágios avançados. Esse vazio assistencial transforma a barreira física em um risco clínico real, exigindo a descentralização do saber especializado.
Conclusão
A distância não deve ser um fator de risco. Um bom cuidado em Estomaterapia associado à integração dos dispositivos da Rede fazem com que se vença qualquer barreira física. É imperativo investir em educação permanente para que o suporte básico ocorra na ponta, garantindo a continuidade da assistência.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O trabalho propõe o uso da telessaúde e do matriciamento para capacitar profissionais locais. Isso otimiza o fluxo de encaminhamentos, evita consultas desnecessárias e garante que a intervenção do estomaterapeuta ocorra de forma assertiva e oportuna.
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Referências
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