CONSTRUÇÃO DE PROTÓTIPO DE PRONTUÁRIO ELETRÔNICO PARA CONSULTA DE ENFERMAGEM EM INCONTINÊNCIA URINÁRIA
Palavras-chave:
Tecnologia Aplicada à Assistência à Saúde, Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Projeto de Software, EstomaterapiaResumo
Objetivo
Construir um protótipo de prontuário eletrônico, voltado à consulta de enfermagem de mulheres com incontinência urinária e outras disfunções do assoalho pélvico associadas.
Método
Estudo metodológico para construção de um protótipo de prontuário eletrônico na plataforma Notion, que utiliza bases de dados com propriedades de texto, números, tarefas, relações entre bases e fórmulas para automatização. A construção foi organizada conforme as fases do processo de enfermagem. Na coleta de dados, definiu-se uma estrutura para levantamento de informações por anamnese e exame físico, com base na literatura sobre assistência de enfermagem a mulheres com incontinência urinária e outras disfunções do assoalho pélvico associadas. Para cada eixo de avaliação clínica, investigou-se a existência de instrumentos traduzidos e validados no Brasil, que substituíram as perguntas inicialmente previstas quando disponíveis. Nas etapas de diagnóstico, planejamento e implementação, o protótipo foi estruturado para favorecer a identificação de necessidades, possíveis diagnósticos e intervenções. A avaliação foi contemplada pela reabertura do prontuário nas consultas subsequentes.
Resultados
O protótipo resultou em um prontuário eletrônico estruturado para subsidiar a consulta de enfermagem e o acompanhamento longitudinal dessas mulheres. Sua organização contemplou módulos para identificação sociodemográfica, antecedentes e dados clínicos, hábitos de vida, avaliação dos sintomas do trato urinário inferior (ICIQ-FLUTS), constipação intestinal (critérios de Roma IV), incontinência anal (Escala de Wexner), disfunção sexual (ICIQ-VS), outros sintomas vaginais, comportamento sanitário (TB-WEB adaptado) e ansiedade (GAD-7). O protótipo também incluiu avaliação funcional da musculatura do assoalho pélvico, baseada em protocolo de Treinamento da Musculatura do Assoalho Pélvico (Assis, Silva e Martins, 2021), avaliação de prolapso (POP-Q) e condutas fundamentadas em protocolo de Modificações Comportamentais (Assis et al., 2023) e em protocolo de Treinamento da Musculatura do Assoalho Pélvico (Assis, Silva e Martins, 2021).
Conclusão
O protótipo desenvolvido demonstrou potencial para sistematizar a consulta de enfermagem, apoiar o manejo conservador da incontinência urinária e qualificar o acompanhamento longitudinal das pacientes. A experiência de construção evidenciou a possibilidade de articular tecnologia digital e prática clínica especializada, produzindo um modelo funcional de documentação assistencial que favorece a avaliação, o direcionamento do tratamento e a identificação de outras disfunções do assoalho pélvico associadas. As próximas etapas incluem a validação da usabilidade por profissionais, seguida de sua utilização clínica em seis ambulatórios especializados.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
A incontinência urinária é uma condição frequente entre mulheres, com prevalência de cerca de 45% no Brasil em 2022, e, embora existam estratégias conservadoras de primeira linha, muitos casos ainda aguardam atendimento especializado, mesmo quando parte deles poderia ser manejada na atenção básica. Nesse contexto, o protótipo construído favorece a padronização do registro das informações clínicas, o acompanhamento ao longo das consultas e a tomada de decisão baseada em evidências. Além disso, a automatização de dados e escores pode subsidiar a identificação de necessidades, diagnósticos e intervenções, apoiando profissionais com menor familiaridade com a temática. Por fim, o instrumento apresenta potencial para a criação de bases de dados para futuras investigações na área de estomaterapia.
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Referências
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