ESTOMATERAPIA E CUIDADOS PALIATIVOS: LACUNAS E POSSIBILIDADES PARA UM CUIDADO TRANSFORMADOR
Palavras-chave:
estomaterapia, cuidados paliativos, integração de serviços, lesões de falência de pele, saúde hospitalarResumo
Objetivo
Analisar, entre os atendimentos realizados por estomaterapeutas em pacientes com lesões indicativas de gravidade e fim de vida, a proporção daqueles que também receberam acompanhamento da equipe de cuidados paliativos, discutindo as implicações dessa integração para o cuidado inclusivo, o alívio do sofrimento e o fortalecimento da prática ética na estomaterapia.
Método
Estudo de coorte retrospectivo, baseado na análise de dados clínicos de 3.343 atendimentos realizados por estomaterapeutas nos anos de 2022, 2023 e 2024, em um hospital geral terciário privado da cidade de São Paulo. Foram identificados os atendimentos relacionados a lesões indicativas de gravidade e fim de vida, incluindo lesão por pressão tissular profunda, lesões terminais de Kennedy e quadros de falência cutânea. Avaliou-se a presença concomitante de acompanhamento pela equipe de cuidados paliativos, com análise de proporção e associação entre os atendimentos, utilizando-se o Teste Exato de Fisher, considerando significância estatística de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (CAAE: 81751524.3.0000.5455).
Resultados
Dos 3.343 atendimentos analisados, 93 (2,8%) desenvolveram lesões indicativas de gravidade clínica e contexto de fim de vida. Entre esses casos, apenas 16,1% contaram com acompanhamento concomitante da equipe de cuidados paliativos. Observou-se associação estatisticamente significativa entre os atendimentos realizados por estomaterapeutas e a presença de cuidados paliativos (Teste Exato de Fisher, p < 0,001), indicando que essas abordagens ocorrem de forma dissociada na rotina hospitalar.
Conclusão
Os resultados demonstram que a articulação entre os atendimentos em estomaterapia relacionados a lesões indicativas de final de vida e o acompanhamento pela equipe de cuidados paliativos ainda ocorre de forma limitada na prática clínica analisada. Essa dissociação pode comprometer o alívio do sofrimento, o conforto do paciente e a qualidade das decisões compartilhadas no contexto de finitude, evidenciando a necessidade de estratégias institucionais que promovam maior integração interprofissional, alinhada aos princípios do cuidado ético, inclusivo e centrado na pessoa.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Este estudo reforça o papel estratégico do estomaterapeuta na identificação de lesões relacionadas a falência de pele e na diferenciação de lesões inevitáveis em contextos de terminalidade, contribuindo para decisões clínicas mais alinhadas ao conforto e à dignidade do paciente. Evidencia-se, ainda, a importância da atuação desse profissional no manejo sintomático, na comunicação sensível com pacientes e familiares e na mediação do cuidado interprofissional. Dessa forma, os resultados subsidiam reflexões sobre a ampliação do protagonismo da estomaterapia no cuidado paliativo, fortalecendo práticas mais inclusivas, éticas e transformadoras em cenários de fim de vida.
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Referências
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