INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM MULHERES COM CÂNCER DE MAMA: PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS
Palavras-chave:
Incontinência Urinária; Neoplasia da Mama; Assoalho Pélvico; Saúde da Mulher; Estomaterapia.Resumo
Objetivo
Caracterizar o perfil sociodemográfico, clínico e comportamental de mulheres com incontinência urinária em tratamento oncológico para câncer de mama.
Método
Estudo observacional, transversal e analítico, com abordagem quantitativa, realizado com mulheres com câncer de mama em tratamento oncológico em um serviço especializado do Nordeste brasileiro. A amostra foi composta por 150 participantes, selecionadas por conveniência. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas estruturadas e consulta a prontuários, utilizando instrumentos validados: ICIQ-SF, ICIQ-OAB, Brief Fatigue Inventory. Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob Parecer nº 7.851.175.
Resultados
Foram entrevistadas 208 mulheres em tratamento oncológico para câncer de mama, das quais 58 (27,9%) referiram algum nível de incontinência urinária (IU). Entre as mulheres com IU, houve predomínio de idade superior a 50 anos (n=36; 62%), multiparidade (≥2 gestações: 72,4%) e menopausa (68,9%). Observou-se elevada frequência de excesso de peso (75,9%) e hipertensão arterial (56,9%), além de alto consumo de café (55,2%). O tratamento mais prevalente foi a quimioterapia (94,8%), com maior concentração de casos em estágios avançados (III e IV: 67,2%) e predominância do subtipo Luminal B (37,9%). A análise dos dados evidenciou associação entre a ocorrência de IU e fatores clínicos e reprodutivos, como idade avançada, menopausa, multiparidade e excesso de peso, reforçando o caráter multifatorial da condição. Tais achados são consistentes com a literatura, que aponta a influência de alterações hormonais, especialmente a deprivação estrogênica induzida pelo tratamento oncológico, bem como fatores metabólicos, na disfunção do assoalho pélvico.Adicionalmente, observou-se que a presença de IU esteve relacionada a piores desfechos em qualidade de vida, fadiga e distúrbios do sono, com correlações positivas entre a gravidade dos sintomas urinários e esses indicadores. Quando estatisticamente significativas, essas correlações indicam que o aumento da severidade da IU está associado à piora proporcional desses desfechos, sem, contudo, estabelecer relação causal.Em conjunto, os resultados destacam a relevância clínica da IU em mulheres com câncer de mama, evidenciando a necessidade de sua inclusão na avaliação rotineira dos serviços oncológicos. A identificação dos fatores associados possibilita o direcionamento de estratégias preventivas e intervenções precoces, especialmente no âmbito da enfermagem, contribuindo para a melhoria do cuidado integral a essa população.
Conclusão
A incontinência urinária apresentou elevada frequência entre mulheres com câncer de mama, evidenciando associação com fatores clínicos, reprodutivos e metabólicos. Os achados reforçam seu caráter multifatorial e o impacto negativo na qualidade de vida, destacando a necessidade de inclusão dessa condição na avaliação clínica oncológica e no planejamento do cuidado integral.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Os resultados evidenciam a importância da atuação do enfermeiro estomaterapeuta na triagem, prevenção e manejo da incontinência urinária nessa população. Estratégias como educação em saúde, treinamento da musculatura do assoalho pélvico e intervenções conservadoras devem ser incorporadas à prática clínica, visando reduzir sintomas e promover melhor qualidade de vida.
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Referências
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