ENFERMAGEM NO PERIOPERATÓRIO DE PACIENTES SUBMETIDOS À DERIVAÇÃO URINÁRIA CONTINENTE POR MITROFANOFF: REVISÃO DE LITERATURA
Palavras-chave:
Derivação Urinária, Estomaterapia, Cuidados Pré-Operatórios, Cuidados Pós-Operatórios, Cateterismo Uretral IntermitenteResumo
Objetivo
Descrever os cuidados de enfermagem no pré e pós-operatório de pacientes submetidos à derivação urinária continente pela técnica de Mitrofanoff.
Método
Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica do tipo narrativa, de abordagem qualitativa, com o objetivo de reunir e analisar evidências científicas sobre o tema proposto, evidenciado em diretrizes institucionais, artigos e manuais técnicos, realizada no período de 26 de setembro de 2025 a 25 de outubro de 2025, resultante do trabalho acadêmico da disciplina “Cuidando de pessoas com estomias” do Curso de Especialização em Enfermagem em Estomaterapia de uma universidade pública localizada na região centro-oeste do Brasil. Esta revisão atendeu aos aspectos éticos referentes aos direitos autorais das publicações consultadas.
Resultados
A derivação urinária continente por técnica de Mitrofanoff consiste na criação de uma estomia continente e cateterizável entre a bexiga e a parede abdominal, utilizando preferencialmente o apêndice cecal1. O êxito do procedimento cirúrgico está diretamente associado à atuação qualificada da equipe de enfermagem, especialmente do enfermeiro estomaterapeuta. Antes do procedimento cirúrgico, destacam-se a avaliação clínica integral, demarcação pré-operatória do local da estomia, preparo intestinal, antibioticoprofilaxia e processo educativo relacionado ao cateterismo intermitente limpo1,2,3. A orientação pré-operatória reduz a ansiedade e favorece adesão ao tratamento2. No período pós-operatório imediato, a monitorização hemodinâmica, controle da dor, balanço hídrico rigoroso, avaliação da permeabilidade da estomia e manutenção da permeabilidade dos cateteres constituem ações prioritárias após a saída do centro cirúrgico3. No período pós-operatório mediato e tardio, o foco é direcionado para o processo de adaptação com ênfase para o ensino e aprendizagem da técnica de cateterização intermitente, higiene da estomia, identificação precoce de sinais de complicações (estenose, infecção urinária, formação de cálculos e acúmulo de muco) e suporte psicossocial3,4. O processo educativo saúde emerge como eixo estruturante do cuidado, contribuindo para autonomia, segurança e qualidade de vida5.
Conclusão
A derivação urinária continente por técnica de Mitrofanoff é uma conduta eficaz para o manejo de disfunções urinárias complexas, exigindo cuidado especializado em estomaterapia, desempenhando papel essencial detectação precoce de complicações e na promoção do autocuidado, sendo determinante para os desfechos clínicos e psicossociais.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
A estomaterapia fortalece-se como área estratégica no cuidado a pacientes com estomias urinárias continentes, ao integrar competências técnicas, educativas e psicossociais. A atuação do enfermeiro estomaterapeuta na demarcação pré-operatória do local da estomia, no ensino do cateterismo intermitente limpo, no acompanhamento longitudinal e avaliação do processo de adaptação e reabilitação. Ressalta-se a diretrizes clínicas e tecnologias educativas validadas que possam contribuir para elevar a segurança e a qualidade do cuidado especializado.
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Referências
Veeratterapillay R, Lundin RM, Larsen S. Mitrofanoff procedure: clinical outcomes and complications. BJU Int. 2013;112(6):768–772.
Ma Y, et al. Nursing care for continent urinary diversion: a clinical review. J Clin Nurs. 2015;24(9-10):1345–1352.
The Royal Children’s Hospital Melbourne. Nursing guidelines: Mitrofanoff stoma. Melbourne; 2024.
Cambridge University Hospitals NHS Foundation Trust. Mitrofanoff formation and continuing care. Cambridge; 2024.
Santos AGG. Cuidados e complicações aos pacientes com derivação urinária de Mitrofanoff: revisão de escopo. Belo Horizonte: UFMG; 2025.


