EVOLUÇÃO DAS SUPERFÍCIES DE SUPORTE EM 40 ANOS DE EVIDÊNCIA CIENTÍFICA: UMA REVISÃO DE ESCOPO

Autores

  • Thaís Barreiros Tavares Universidade Federal de Minas Gerais
  • Yasmim Yngrid Fernandes De Freitas Universidade Federal de Minas Gerais
  • Perla Oliveira Soares De Souza Universidade Federal de Minas Gerais
  • Eline Lima Borges Universidade Federal de Minas Gerais

Palavras-chave:

Lesão por Pressão; Estomaterapia; Superfícies de Apoio; Prevenção; Tecnologia em Saúde

Resumo

Objetivo

Mapear a evolução das superfícies de suporte utilizadas na prevenção e no manejo de lesões por pressão.

Método

Revisão de escopo conduzida conforme Arksey e O’Malley1, com relato baseado no PRISMA-ScR2. Estudo integrante de um programa de pesquisa voltado à avaliação de tecnologias e serviços em estomaterapia. As buscas foram realizadas em outubro de 2025 nas bases Web of Science, Scopus, Biblioteca Virtual em Saúde, PubMed e Cochrane, utilizando descritores e termos livres combinados por operadores booleanos. A questão norteadora foi estruturada pelo acrônimo PCC (População: indivíduos com ou sem risco de lesão por pressão; Conceito: superfícies de suporte; Contexto: cenários de atenção à saúde). Foram incluídos estudos primários, sem restrição de idioma ou período, e excluídos estudos secundários e literatura cinzenta. A seleção foi realizada por dois revisores independentes, com resolução de divergências por consenso. Os dados foram analisados de forma descritiva e apresentados em síntese narrativa.

Resultados

 Foram incluídos 35 estudos entre 1984 e 2025, com predominância de pesquisas conduzidas na Europa (n=24), especialmente no Reino Unido (n=10). Os cenários de investigação concentraram-se em unidades de terapia intensiva (n=7) e instituições de longa permanência (n=7). Observa-se que a evolução das superfícies de suporte ocorreu de forma não linear, caracterizada por um processo cumulativo de aprimoramento tecnológico. A partir dos anos 2000, destacaram-se os colchões viscoelásticos, associados à possibilidade de maior intervalo entre reposicionamentos, sem aumento do risco de lesão por pressão. Entretanto, evidências posteriores indicam maior efetividade de superfícies de ar alternado em determinados contextos clínicos. De modo geral, superfícies de ar demonstram redução do risco de lesões, porém não substituem estratégias individualizadas de cuidado. Estudos recentes incorporam variáveis como microclima3 e conforto4, embora os achados permaneçam heterogêneos devido à diversidade metodológica e tecnológica.

Conclusão

 As superfícies de suporte evoluíram significativamente nas últimas décadas, com avanços na redistribuição de pressão, controle do microclima e diversificação tecnológica. Contudo, persistem lacunas quanto à robustez metodológica dos estudos e generalização dos resultados para diferentes contextos, especialmente fora do cenário europeu. Evidencia-se a necessidade de pesquisas com maior rigor metodológico, que avaliem efetividade clínica, custo-efetividade, sustentabilidade e aplicabilidade em diferentes realidades assistenciais.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

 O estudo integra uma agenda estruturada de investigação voltada à avaliação de tecnologias em estomaterapia, contribuindo para a compreensão crítica das superfícies de suporte e seu papel na prevenção de lesões por pressão. Ao sintetizar quatro décadas de evidências, subsidia tomada de decisão clínica, incorporação tecnológica e qualificação do cuidado, promovendo práticas mais seguras, eficazes e baseadas em evidências.

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Biografia do Autor

Thaís Barreiros Tavares, Universidade Federal de Minas Gerais

Atualmente é Enfermeira graduada pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Pós - Graduada em Gestão e Enfermagem do Trabalho e em Enfermagem Dermatológica com Ênfase em Prescrição de Medicamentos Manipulados. Mestra em Enfermagem pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutoranda em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Docente de Enfermagem na Instituição de Ensino ENFERMINAS/PROZ EDUCAÇÃO. Foi bolsista CAPES pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência/PIBID-Enfermagem. Possui experiência em Saúde da Pessoa Idosa, Feridas Complexas, Docência em Enfermagem e Urgência e Emergência. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Cuidado e Desenvolvimento Humano - NEPCDH/UFMG.

Referências

Arksey H, O'Malley L. Scoping studies: towards a methodological framework. Int J Soc Res Methodol. 2005 Jan;8(1):19-32. doi:10.1080/1364557032000119616.

Peters MDJ, Godfrey C, McInerney P, Munn Z, Tricco AC, Khalil H. Chapter 11: Scoping reviews. In: Aromataris E, Munn Z, editors. JBI Manual for Evidence Synthesis [Internet]. 2020 [cited 2026 Apr 9]. Available from: https://synthesismanual.jbi.global

Tomova-Simitchieva T, Lichterfeld-Kottner A, Blume-Peytavi U, Kottner J. Comparing the effects of 3 different pressure ulcer prevention support surfaces on the structure and function of heel and sacral skin: an exploratory cross-over trial. Int Wound J. 2017;15(3):429-437. doi:10.1111/iwj.12883.

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Barreiros Tavares, T., Fernandes De Freitas, Y. Y., Oliveira Soares De Souza, P., & Lima Borges, E. (2026). EVOLUÇÃO DAS SUPERFÍCIES DE SUPORTE EM 40 ANOS DE EVIDÊNCIA CIENTÍFICA: UMA REVISÃO DE ESCOPO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2561