AVALIAÇÃO DA COMPETÊNCIA DA PESSOA COM ESTOMIA PARA O AUTOCUIDADO: EVIDÊNCIAS DE VALIDADE DO COPE-AC
Palavras-chave:
Autocuidado, Avaliação em saúde, Estomaterapia, Estomia, Estudo de ValidaçãoResumo
Objetivo
Avaliar evidências de validade do instrumento COPE-Ac para mensuração da competência da pessoa com estomia para o autocuidado, com base na estrutura interna e na relação com outras variáveis.
Método
Estudo psicométrico conduzido em sete Serviços de Atenção à Saúde da Pessoa Ostomizada de Minas Gerais, com amostra não probabilística por conveniência (n = 591). A coleta ocorreu entre maio e outubro de 2024, realizada enfermeiras treinadas. Utilizaram-se o instrumento adaptado CAO:EI-ESEP e o COH-QOL-OQ. Os dados foram analisados por estatística descritiva, análises fatoriais exploratória e confirmatória e normatização dos escores. Associações foram testadas por Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, e correlações por Spearman, adotando-se p<0,05, com estimativa do tamanho do efeito. O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 6.912.595).
Resultados
A amostra apresentou mediana de 62 anos e baixa escolaridade; 54,5% eram homens e 70,2% estavam em reavaliação. Predominaram colostomias esquerdas (54,1%), temporárias (66,2%), sem demarcação prévia (85,3%) e de etiologia oncológica (63,1%). Complicações ocorreram em 59,4%, principalmente dermatite periestomia (41,1%). A análise fatorial exploratória indicou modelo bidimensional com 23 itens, explicando 69,47% da variância (KMO = 0,95; Bartlett χ² = 4572,6; p < 0,001), com cargas fatoriais elevadas (0,52 a 0,96) e excelente consistência interna (α = 0,95; ω = 0,96; G-H = 0,98 e 0,93). A análise confirmatória corroborou modelo de segunda ordem com excelente ajuste (CFI = 0,98; TLI = 0,98; NFI = 0,97; GFI = 0,99; RMSEA = 0,09). A normatização definiu três níveis de competência, confirmados por análise discriminante (p < 0,001). A versão final foi denominada Formulário de Avaliação do Nível de Competência da Pessoa com Estomia para o Autocuidado (COPE-Ac). O nível global de competência foi intermediário (41,3%), com melhor desempenho na dimensão conhecimento. Maiores escores ocorreram em estomias em quadrantes inferiores, definitivas, com uso de equipamento drenável com fechamento por conector plástico, demarcadas previamente, em indivíduos empregados e solteiros (p < 0,05). Houve associações positivas com avaliação por estomaterapeuta, reavaliações e presença de cuidador (p < 0,001). Entre as complicações, apenas o deslocamento mucocutâneo associou-se à competência (p < 0,01). Observou-se correlação positiva entre competência e qualidade de vida nos domínios bem-estar psicológico (p < 0,001), social (p ≤ 0,01) e espiritual (p ≤ 0,03).
Conclusão
O COPE-Ac apresenta evidências robustas de validade e confiabilidade, sendo instrumento adequado para mensuração da competência para o autocuidado em pessoas com estomia. Os achados evidenciam lacunas no desenvolvimento de habilidades práticas, indicando a necessidade de intervenções direcionadas.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O estudo integra uma agenda estruturada de investigação voltada à qualificação da avaliação em estomaterapia, disponibilizando instrumento válido e aplicável à prática clínica. O COPE-Ac subsidia a tomada de decisão, o planejamento de intervenções individualizadas e a organização dos serviços, contribuindo para o fortalecimento do autocuidado, melhoria dos desfechos clínicos e qualificação da assistência baseada em evidências.
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Referências
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