DESERTO SANITÁRIO URBANO E PRIVAÇÃO DE CONTINÊNCIA: REVISÃO INTEGRATIVA E MODELO DE RISCO

Autores

  • Adriana Pelegrini Dos Santos Pereira
  • Matheus Querino Da Silva
  • João Daniel De Souza Menezes
  • Stela Regina Pedroso Vilela Torres De Carvalho
  • Emerson Roberto Dos Santos
  • Rita De Cassia Helu Mendonça Ribeiro
  • Júlio César André
  • Mikaell Alexandre Gouvea Faria

Palavras-chave:

incontinência urinária, acessibilidade urbana, sanitários públicos, estomaterapia

Resumo

Objetivo

Examinar o impacto da acessibilidade a sanitários públicos sobre a vida de pessoas com incontinência urinária (IU) e fecal (IF) de urgência, formulando o conceito de Deserto Sanitário Urbano (DSU) e o Índice de Continência Urbana (ICU) como ferramentas de risco social.

Método

Conduziu‑se revisão integrativa em bases biomédicas, de saúde pública e urbanismo, além de literatura cinzenta (relatórios e políticas), incluindo estudos com adultos portadores de IU/IF, dados de densidade de sanitários públicos e desfechos psicossociais. Foram extraídos prevalências de IU/IF, indicadores de infraestrutura (número de sanitários por área ou por habitantes, tempo de caminhada até banheiro adequado), medidas de qualidade de vida e sintomas de ansiedade/depressão. A síntese buscou integrar carga de doença, ecologia urbana do sanitário e participação social, originando categorias de risco para o ICU. 

Resultados

 

Inquéritos populacionais estimam IU em 20–30% das mulheres adultas e 5–15% dos homens, com aumento relevante após a meia‑idade; IF oscila entre 2–10%, fortemente associada à pior qualidade de vida. Estudos sobre infraestrutura indicam retração de sanitários públicos em grandes cidades e distribuição desigual, com déficit em periferias, terminais de transporte e áreas de maior vulnerabilidade socioeconômica. Pesquisas qualitativas e levantamentos recentes mostram que mulheres e pessoas com condições crônicas, como IU/IF, enfrentam filas mais longas, maior insegurança e maior tempo de espera, revelando viés de gênero e de classe na oferta de sanitários. Em amostras de adultos com IU, ausência de sanitários previsíveis em rotas diárias dobrou o risco de sintomas depressivos e associou‑se a auto‑restrição de saídas, abandono de trabalho e isolamento social. A partir desses achados, o ICU combina: eixo clínico (gravidade da IU/IF, episódios semanais, uso de absorventes ou dispositivos), eixo urbano (tempo médio até sanitário adequado, custo, acessibilidade arquitetônica e segurança) e eixo psicossocial (grau de restrição de rotas, ansiedade e depressão autorreferidas). Classificações altas de ICU definem DSU grave e máxima privação de continência urbana.

Conclusão

 As evidências indicam que viver com IU/IF em áreas de DSU configura forma específica de injustiça sanitária, na qual a combinação de alta carga de sintomas e baixa oferta de sanitários acessíveis limita mobilidade, agrava sofrimento psíquico e amplia desigualdades de gênero e renda

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

 Na prática da estomaterapia e da enfermagem em saúde pública, o ICU pode ser aplicado em consultas de pessoas com IU/IF, permitindo identificar risco social alto mesmo em pacientes clinicamente bem compensados. Profissionais podem registrar rotas críticas sem sanitários, emitir laudos para adaptações em trabalho e estudo, prescrever dispositivos coletores, orientar estratégias de “planejamento de banheiros” e articular‑se com equipes de atenção básica para advocacy pela instalação de sanitários acessíveis em unidades, praças e corredores de transporte. Ao transformar o DSU em variável mensurável, a estomaterapia reforça seu papel na defesa de direitos à continência, à mobilidade e à participação social.

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Referências

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Pelegrini Dos Santos Pereira, A., Da Silva, M. Q., Menezes, J. D. D. S., De Carvalho, S. R. P. V. T., Dos Santos, E. R., Ribeiro, R. D. C. H. M., André, J. C., & Faria, M. A. G. (2026). DESERTO SANITÁRIO URBANO E PRIVAÇÃO DE CONTINÊNCIA: REVISÃO INTEGRATIVA E MODELO DE RISCO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2569