SÍNDROME DE DESREGULAÇÃO TÉRMICA DA FERIDAS, MODELO CLÍNICO EM CONTEXTO DE AQUECIMENTO GLOBAL: REVISÃO INTEGRATIVA

Autores

  • Adriana Pelegrini Dos Santos Pereira
  • João Daniel De Souza Menezes
  • Matheus Querino Da Silva
  • Stela Regina Pedroso Vilela Torres De Carvalho
  • Emerson Roberto Dos Santos
  • Rita De Cassia Helu Mendonça Ribeiro
  • Júlio César André Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto
  • Mikaell Alexandre Gouvea Faria

Palavras-chave:

Mudanças climáticas, Calor extremo, Cicatrização de feridas., Estomaterapia

Resumo

Objetivo

Analisar criticamente a relação entre temperatura do leito da ferida, extremos climáticos e desfechos cicatriciais, propondo a Síndrome de Desregulação Térmica da Ferida (SDTF) e o Modelo de Risco Térmico em Feridas (MRT‑Ferida) como ferramentas clínicas para estratificação de risco em países tropicais.

 

Método

 

Realizou‑se revisão integrativa (2010–2024) em bases biomédicas, incluindo estudos clínicos, experimentais, revisões de escopo e protocolos sobre temperatura de feridas, termometria infravermelha e clima. Critérios de inclusão abrangeram: adultos com feridas agudas ou crônicas, medidas objetivas de temperatura cutânea e relato de evolução clínica. Foram extraídos dados de médias de temperatura, pontos de corte para infecção, variação entre pele lesada e contralateral, além de fatores de vulnerabilidade (idade, diabetes, insuficiência vascular, exposição a ondas de calor). A síntese organizou os achados em faixas térmicas (ideal, risco, crítica) e em indicadores dinâmicos (diferença térmica e trajetória ao longo do tempo).

Resultados

 

Revisão de escopo com 13 estudos e 477 participantes identificou temperatura média ponderada de 31,7°C em 395 feridas, com intervalo “fisiológico” concentrado entre 30,2–33,0°C, independentemente da etiologia. Estudos com termografia em úlceras venosas e lesões por pressão mostraram que reduções sustentadas abaixo de ~30°C associam‑se a menor proliferação de fibroblastos e queratinócitos, enquanto temperaturas acima de 33–34°C acompanham maior exsudato, eritema e carga bacteriana. Diferença de temperatura (ΔT) ≥2°C entre região perilesional e membro contralateral antecipou infecção em feridas crônicas com boa acurácia, sobretudo quando acompanhada de piora clínica em 48–72 horas. Com base nesses achados, o MRT‑Ferida define: zona ideal (30,2–33,0°C e ΔT <2°C), zona de risco (28–30°C ou 33–34°C, sem sinais sistêmicos) e zona crítica (<28°C ou >34°C ou ΔT ≥2°C), integrando ainda temperatura ambiente elevada (>35°C) e vulnerabilidade clínica (idosos, diabéticos, feridas em membros inferiores).

Conclusão

Os dados sustentam a SDTF como constructo clínico que traduz a interação entre microclima da ferida, condição do hospedeiro e extremos ambientais, justificando o uso rotineiro da termometria como quinto sinal vital da ferida em contextos de aquecimento global. 

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

 A estomaterapia pode incorporar o MRT‑Ferida a fluxos assistenciais: medir temperatura do leito e do membro contralateral em cada troca de curativo; classificar a zona térmica; e, na zona de risco, intensificar hidratação, reduzir exposição da ferida e ajustar coberturas termo‑protetoras, reavaliando em 48–72 horas. Na zona crítica, recomenda‑se investigação ativa de infecção, eventual coleta de cultura, otimização do controle glicêmico, uso de tecnologias de monitorização contínua e, durante ondas de calor, protocolos de ambiente climatizado e hidratação programada. A adoção desse algoritmo transforma a revisão em guia prático, favorece decisões personalizadas em idosos e pessoas com comorbidades e contribui para reduzir complicações, internações e custos em serviços de estomaterapia.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Huang J, Fan C, Ma Y, Huang G. Exploring Thermal Dynamics in Wound Healing: The Impact of Temperature and Microenvironment. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2024 May 28;17:1251-1258. doi: 10.2147/CCID.S468396. PMID: 38827629; PMCID: PMC11144001.

Mertin V, Most P, Busch M, Trojan S, Tapking C, Haug V, Kneser U, Hundeshagen G. Current understanding of thermo(dys)regulation in severe burn injury and the pathophysiological influence of hypermetabolism, adrenergic stress and hypothalamic regulation-a systematic review. Burns Trauma. 2022 Sep 23;10:tkac031. doi: 10.1093/burnst/tkac031. PMID: 36168403; PMCID: PMC9501704.

Gethin G, Ivory JD, Sezgin D, Muller H, O'Connor G, Vellinga A. What is the “normal” wound bed temperature? A scoping review and new hypothesis. Wound Rep Reg. 2021;29(5):843–847. https://doi.org/10.1111/wrr.12930

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Pelegrini Dos Santos Pereira, A., Menezes, J. D. D. S., Da Silva, M. Q., De Carvalho, S. R. P. V. T., Dos Santos, E. R., Ribeiro, R. D. C. H. M., André, J. C., & Faria, M. A. G. (2026). SÍNDROME DE DESREGULAÇÃO TÉRMICA DA FERIDAS, MODELO CLÍNICO EM CONTEXTO DE AQUECIMENTO GLOBAL: REVISÃO INTEGRATIVA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2570