INCONTINÊNCIA FECAL EM PACIENTES COM DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Autores

  • Lucas Dalvi Armond Rezende Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Paula De Souza Silva Freitas
  • Heloísa Helena Camponez Barbara Rédua Universidade Federal do Espírito Santo
  • Camila Adour Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Mariana Poltronieri Pacheco Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória
  • Davi De Souza Catabriga Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória

Palavras-chave:

Estomaterapia, Doença Inflamatória Intestinal, Doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa, Incontinência Fecal

Resumo

Objetivo

Analisar as evidências científicas disponíveis sobre a incontinência fecal em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal, com foco nos fatores associados, impactos clínicos e psicossociais, métodos de avaliação e estratégias terapêuticas utilizadas no manejo dessa condição.

Método

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida em etapas de identificação do problema, definição da estratégia de busca, seleção dos estudos, extração dos dados, avaliação crítica e síntese dos achados. A busca foi realizada nas bases MEDLINE/PubMed, Embase, Scopus, Web of Science e Biblioteca Virtual em Saúde, utilizando descritores controlados e termos livres relacionados à Doença Inflamatória Intestinal, doença de Crohn, retocolite ulcerativa e incontinência fecal, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos estudos primários e secundários que abordaram a ocorrência, os fatores associados, os métodos diagnósticos e as estratégias de tratamento da incontinência fecal em indivíduos com Doença Inflamatória Intestinal, sem restrição de idioma, publicados no período de 2020 a 2026. Apropriou-se também do Posicionamento Científico sobre Incontinência Fecal de 2025, da Organização Brasileira de Doença de Crohn e Colite (GEDIIB).

Resultados

A busca resultou em 275 artigos. Após a seleção de acordo com título, resumo e leitura completa, contemplou-se 12 produções para esta revisão. Os estudos analisados evidenciaram que a incontinência fecal é uma condição relevante e frequentemente subnotificada em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal, associando-se à atividade inflamatória da doença, urgência evacuatória, diarreia, comprometimento esfincteriano, cirurgias anorretais prévias e alterações da sensibilidade e complacência retal. Observou-se impacto expressivo na qualidade de vida, com repercussões emocionais, sociais e funcionais, incluindo constrangimento, isolamento social, ansiedade e limitação das atividades diárias. Os principais instrumentos diagnósticos descritos incluem questionários clínicos, como o escore de Jorge-Wexner, além de métodos complementares como manometria anorretal, ultrassonografia endoanal e escala de Bristol para caracterização das fezes. Em relação ao tratamento, destacam-se abordagens medicamentosas, reabilitação pélvica, biofeedback, intervenções comportamentais e neuromodulação elétrica em casos refratários. Os achados também apontam para a necessidade de rastreio sistemático da incontinência fecal na prática clínica, considerando sua elevada relevância e frequente invisibilidade assistencial.

Conclusão

A incontinência fecal em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal constitui um agravo multifatorial, com importante impacto na qualidade de vida e nos desfechos clínicos. Seu reconhecimento precoce, avaliação estruturada e manejo individualizado são fundamentais para qualificar a assistência. A incorporação de protocolos clínicos, instrumentos padronizados de avaliação e estratégias multiprofissionais pode favorecer o diagnóstico oportuno e o cuidado integral dessa população.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Os achados desta revisão reforçam a relevância da estomaterapia no cuidado especializado a pacientes com Doença Inflamatória Intestinal e incontinência fecal, especialmente na avaliação da integridade da pele perineal, na prevenção e manejo da dermatite associada à incontinência, na indicação de produtos barreira e dispositivos de proteção cutânea, bem como na educação em saúde para o autocuidado. A estomaterapia exerce papel estratégico na abordagem clínica e educativa desses pacientes, contribuindo para a redução de complicações, promoção de conforto, preservação da dignidade e melhoria da qualidade de vida, além de fortalecer a prática baseada em evidências no contexto do cuidado intestinal especializado. 

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Referências

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Dalvi Armond Rezende, L., De Souza Silva Freitas, P., Camponez Barbara Rédua, H. H., Adour, C., Poltronieri Pacheco, M., & De Souza Catabriga, D. (2026). INCONTINÊNCIA FECAL EM PACIENTES COM DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2573