ESTRATÉGIAS DE MANEJO DA INCONTINÊNCIA FECAL EM PACIENTES COM COMORBIDADES NEUROLÓGICAS: REVISÃO SISTEMÁTICA

Autores

  • Luciana Brasil Moreira De Oliveira Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais
  • Alessandra De Freitas Hospital João XXIII
  • Larissa Viana Almeida De Lieberenz Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais
  • Susiane Sucasas Frison Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais
  • Carlos Henrique Silva Tonázio Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais
  • Maria Clara Salomão E Silva Guimarães Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Palavras-chave:

• Incontinência Fecal, • Doenças do Sistema Nervoso, • Cuidados de Enfermagem, • Estomaterapia

Resumo

Objetivo

Identificar e analisar as estratégias de manejo da incontinência fecal (IF) em pacientes com comorbidades neurológicas.

Método

 

Revisão sistemática conduzida a partir da estruturação da pergunta norteadora pela estratégia PICO e conforme recomendações metodológicas do PRISMA. A busca foi realizada nas bases PubMed®, CAPES e Biblioteca Virtual em Saúde, incluindo estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, utilizando os descritores: Fecal Incontinence, Nervous System Diseases, Neurodegenerative Diseases, Neurological Disorders e Nursing Care. Foram incluídos estudos quantitativos e revisões sistemáticas disponíveis na íntegra que abordassem a IF em indivíduos com doenças neurológicas. Excluíram-se estudos que tratavam exclusivamente de incontinência urinária ou ausência de relação com o tema. A seleção ocorreu em três etapas (título, resumo e leitura na íntegra), por revisores independentes, com resolução de divergências por consenso. A qualidade metodológica foi avaliada pelo instrumento AMSTAR 2. A síntese dos dados foi realizada de forma narrativa, considerando heterogeneidade dos estudos e dos desfechos analisados.

Resultados

 

Foram identificados 109 estudos, com exclusão de duplicatas (n=50), restando 59 para triagem inicial. Destes, 16 foram excluídos por inadequação metodológica e 28 por não atenderem ao objetivo do estudo. Dos 15 elegíveis, 7 foram excluídos após leitura dos resumos e 2 não foram recuperados. Após leitura na íntegra de 6, 3 foram excluídos e 3 compuseram amostra final. Os estudos incluíram populações com diferentes condições neurológicas associadas à disfunção intestinal neurogênica. Uma revisão integrativa (13 estudos; n=1018) evidenciou que ingestão mínima de 15 g/dia de fibras, especialmente do tipo solúvel como psyllium, pode contribuir para melhoria do trânsito intestinal e da consistência fecal em adultos com lesão medular, embora  variabilidade nos resultados. Uma revisão sistemática com meta-análise (10 ensaios clínicos randomizados; n=894) demonstrou que  estimulação elétrica não implantável (transcutânea e percutânea), especialmente quando iniciada precocemente no pós acidente vascular cerebral (AVC), apresenta benefícios consistentes para incontinência urinária e evidência limitada, porém sugestiva, para IF. Uma revisão Cochrane (25 ensaios clínicos; n=1.598 com diferentes condições neurológicas como AVC, esclerose múltipla e doença de Parkinson) destacou que intervenções conservadoras constituem primeira linha de manejo, incluindo avaliação sistematizada, educação em saúde, aconselhamento individualizado e estabelecimento de rotina intestinal. Estratégias físicas, como massagem abdominal e irrigação transanal, mostraram-se adjuvantes, principalmente na organização do cuidado intestinal. Dessa forma, observou-se elevada heterogeneidade metodológica, variabilidade dos desfechos e escassez de ensaios clínicos robustos direcionados especificamente à IF.

Conclusão

 

O manejo da IF em pacientes com comorbidades neurológicas deve ser centrado, individualizado e baseado em abordagem escalonada, com priorização de intervenções conservadoras. A fragilidade das evidências disponíveis reforça necessidade de estudos clínicos bem delineados e padronização dos desfechos.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Os achados evidenciam o papel estratégico do enfermeiro estomaterapeuta na avaliação, planejamento e implementação do cuidado intestinal em pacientes com disfunção intestinal neurogênica. Entretanto, observa-se fragilidade na padronização dos protocolos e limitação de evidências robustas, destacando necessidade de estudos clínicos bem delineados que subsidiem diretrizes assistenciais mais consistentes, que possam subsidiar o avanço da Estomaterapia no manejo da IF.

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Biografia do Autor

Luciana Brasil Moreira De Oliveira, Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais

Enfermeira Estomaterapeuta

Enfermeira Fiscal 

Alessandra De Freitas, Hospital João XXIII

Enfermeira Estomaterapeuta

Larissa Viana Almeida De Lieberenz, Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Docente da Pós-graduação de Enfermagem em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Susiane Sucasas Frison, Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Docente da Pós-graduação de Enfermagem em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Carlos Henrique Silva Tonázio, Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Docente da Pós-graduação de Enfermagem em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Maria Clara Salomão E Silva Guimarães, Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Docente da Pós-graduação de Enfermagem em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Referências

Todd CL, Johnson EE, Stewart F, et al. Conservative, physical and surgical interventions for managing faecal incontinence in adults with central neurological diseases. Cochrane Database Syst Rev. 2024;10:CD002115.

Cruz VL, et al. Does non-implanted electrical stimulation reduce post-stroke urinary or fecal incontinence? Int J Stroke. 2022;17(4):378–388.

Yeung HY, et al. Dietary management of neurogenic bowel in adults with spinal cord injury. Disabil Rehabil. 2019.

Brown HW, Dyer KY, Rogers RG. Management of fecal incontinence. Obstet Gynecol. 2020;136(4):811–822.

Blackett JW, Bharucha AE. Fecal incontinence in adults: new therapies. Am J Gastroenterol. 2025;120(9):2027–2041.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Brasil Moreira De Oliveira, L., De Freitas, A., Viana Almeida De Lieberenz, L., Sucasas Frison, S., Silva Tonázio, C. H., & Salomão E Silva Guimarães, M. C. (2026). ESTRATÉGIAS DE MANEJO DA INCONTINÊNCIA FECAL EM PACIENTES COM COMORBIDADES NEUROLÓGICAS: REVISÃO SISTEMÁTICA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2574