ESTRATÉGIAS DE MANEJO DA INCONTINÊNCIA FECAL EM PACIENTES COM COMORBIDADES NEUROLÓGICAS: REVISÃO SISTEMÁTICA
Palavras-chave:
• Incontinência Fecal, • Doenças do Sistema Nervoso, • Cuidados de Enfermagem, • EstomaterapiaResumo
Objetivo
Identificar e analisar as estratégias de manejo da incontinência fecal (IF) em pacientes com comorbidades neurológicas.
Método
Revisão sistemática conduzida a partir da estruturação da pergunta norteadora pela estratégia PICO e conforme recomendações metodológicas do PRISMA. A busca foi realizada nas bases PubMed®, CAPES e Biblioteca Virtual em Saúde, incluindo estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, utilizando os descritores: Fecal Incontinence, Nervous System Diseases, Neurodegenerative Diseases, Neurological Disorders e Nursing Care. Foram incluídos estudos quantitativos e revisões sistemáticas disponíveis na íntegra que abordassem a IF em indivíduos com doenças neurológicas. Excluíram-se estudos que tratavam exclusivamente de incontinência urinária ou ausência de relação com o tema. A seleção ocorreu em três etapas (título, resumo e leitura na íntegra), por revisores independentes, com resolução de divergências por consenso. A qualidade metodológica foi avaliada pelo instrumento AMSTAR 2. A síntese dos dados foi realizada de forma narrativa, considerando heterogeneidade dos estudos e dos desfechos analisados.
Resultados
Foram identificados 109 estudos, com exclusão de duplicatas (n=50), restando 59 para triagem inicial. Destes, 16 foram excluídos por inadequação metodológica e 28 por não atenderem ao objetivo do estudo. Dos 15 elegíveis, 7 foram excluídos após leitura dos resumos e 2 não foram recuperados. Após leitura na íntegra de 6, 3 foram excluídos e 3 compuseram amostra final. Os estudos incluíram populações com diferentes condições neurológicas associadas à disfunção intestinal neurogênica. Uma revisão integrativa (13 estudos; n=1018) evidenciou que ingestão mínima de 15 g/dia de fibras, especialmente do tipo solúvel como psyllium, pode contribuir para melhoria do trânsito intestinal e da consistência fecal em adultos com lesão medular, embora variabilidade nos resultados. Uma revisão sistemática com meta-análise (10 ensaios clínicos randomizados; n=894) demonstrou que estimulação elétrica não implantável (transcutânea e percutânea), especialmente quando iniciada precocemente no pós acidente vascular cerebral (AVC), apresenta benefícios consistentes para incontinência urinária e evidência limitada, porém sugestiva, para IF. Uma revisão Cochrane (25 ensaios clínicos; n=1.598 com diferentes condições neurológicas como AVC, esclerose múltipla e doença de Parkinson) destacou que intervenções conservadoras constituem primeira linha de manejo, incluindo avaliação sistematizada, educação em saúde, aconselhamento individualizado e estabelecimento de rotina intestinal. Estratégias físicas, como massagem abdominal e irrigação transanal, mostraram-se adjuvantes, principalmente na organização do cuidado intestinal. Dessa forma, observou-se elevada heterogeneidade metodológica, variabilidade dos desfechos e escassez de ensaios clínicos robustos direcionados especificamente à IF.
Conclusão
O manejo da IF em pacientes com comorbidades neurológicas deve ser centrado, individualizado e baseado em abordagem escalonada, com priorização de intervenções conservadoras. A fragilidade das evidências disponíveis reforça necessidade de estudos clínicos bem delineados e padronização dos desfechos.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Os achados evidenciam o papel estratégico do enfermeiro estomaterapeuta na avaliação, planejamento e implementação do cuidado intestinal em pacientes com disfunção intestinal neurogênica. Entretanto, observa-se fragilidade na padronização dos protocolos e limitação de evidências robustas, destacando necessidade de estudos clínicos bem delineados que subsidiem diretrizes assistenciais mais consistentes, que possam subsidiar o avanço da Estomaterapia no manejo da IF.
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Referências
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