CONCENTRADOS SANGUÍNEOS AUTÓLOGOS NO MANEJO DE FERIDAS POR ENFERMEIROS: REVISÃO DE ESCOPO

Autores

  • Ana Flávia Lima Dias Pereira
  • Luciana Gonzaga Dos Santos Cardoso Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
  • Luciana Soares Costa Santos Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Palavras-chave:

Enfermeiras e Enfermeiros/Nurses, Plasma Rico em Plaquetas/Platelet-Rich Plasma, Ferimentos e Lesões/Wounds and Injuries, Cicatrização de Feridas/Wound Healing, Estomaterapia/Enterostomal Therapy

Resumo

Objetivo

Mapear a literatura científica acerca do preparo e a aplicação de concentrados sanguíneos autólogos (CSA) por enfermeiros no manejo de feridas.

Método

Trata-se de uma revisão de escopo. O protocolo do estudo está registrado na plataforma OSF,doi:10.17605/OSF.IO/9AFUS. Foram consultadas bases de dados nacionais e internacionais, utilizando os seguintes descritores (DeCS/MeSH): Nurses; Platelet-Rich Fibrin; Platelet-Rich Plasma; Biological Dressings; Regenerative Medicine; Cell- and Tissue-Based Therapy; Woundsand Injuries; Wound Healing. Incluídas publicações com enfermeiros na autoria, utilizando CSA no manejo de feridas, em periódicos nacionais e internacionais, nos idiomas português e inglês e sem limite de tempo. A extração dos dados ocorreu com instrumento próprio. Os dadosanalisados quantitativamente e qualitativamente, com o agrupamento de dados, apresentados emformato de tabelas e quadros sinópticos.

Resultados

Esta revisão foi elaborada com artigos encontrados da base de dados MEDLINE, resultando em 16 artigos para análise. Todos foram publicados na língua inglesa, 56,3% nos últimos cinco anos, o enfermeiro como primeiro autorem 68,7%, e a área de enfermagem/feridas representou 50,0% dos artigos. Quanto aos tipos de lesões abordadas nos estudos, 37,4% foram lesões em pé diabético, 25,0% úlceras venosas, 25,0% lesões por pressão, 6,3% ferimento por arma de fogo e 6,3% queimadura. A China e a Espanha foram os países com maior número de publicações (37,3% e 31,2%, respectivamente). Estudos experimentais e ensaios clínicos randomizados representaram 31,2% dos artigos, estudos observacionais e relatos de casos 37,5% e estudos de revisão, 31,3%. Quanto ao tipo de CSA, o Plasma Rico em Plaquetas foi utilizado em 75% dos artigos. No preparo, o volume de sangue coletado variou de 9 a 30 ml e o citrato de sódio foi o anticoagulante mais utilizado. As vias de aplicação descritas foram a tópica e injetável. Observou-se resultados positivos no uso dos CSA no tempo de cicatrização, na regeneração tecidual, na relação custo-benefício e na avaliação de eventos adversos. Identificou-se a necessidade de padronização no preparo e aplicação do CSA quanto a: concentração plaquetária, métodos de ativação, técnicas de obtenção, frequência de aplicação e tipos de coberturas.

Conclusão

A participação do enfermeiro sugere sua autonomia e liderança no desenvolvimento de pesquisas na área. A nomenclatura utilizada para a descrição dos CSA, seu preparo e aplicação foram diversificados. Não foram identificados protocolos descritos por diretrizes de práticas assistências. O uso de CSA no manejo de feridas se mostrou benéfico especialmente nas feridas complexas, de difícil cicatrização ou refratárias a outros tratamentos. 

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Este estudo demonstrou a complexidade do conhecimento e do manuseio dos CSA no tratamento de feridas. A formação em estomaterapia qualifica o enfermeiro para a avaliação e tratamento de lesões de pele por meio de um arcabouço teórico-prático sólido, em constante atualização e baseados em evidências científicas. Desta forma, para que o preparo e aplicação de CSA seja segura, entendemos a necessidade de que esta prática seja realizada pelo enfermeiro estomaterapeuta.

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Biografia do Autor

Luciana Gonzaga Dos Santos Cardoso, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Enfermeira Estomaterapeuta, Doutora em Ciências da Saúde.

Luciana Soares Costa Santos, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Professora doutora da graduação em enfermagem da FCMSCSP. 

Referências

Aromataris E, Lockwood C, Porritt K, Pilla B, Jordan Z, editors. JBI Manual for Evidence Synthesis. JBI; 2024. Available from: https://synthesismanual.jbi.global.

Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução nº 788/2025. Regulamenta o uso terapêutico dos concentrados sanguíneos autólogos não transfusionais no âmbito da enfermagem. Brasília: COFEN; 2025

Costa RCS, Menezes LRS, Araújo TS, Sousa JBC, Meneses ACV, Pereira Neto HA, et al. Avanços no tratamento de feridas crônicas com o uso do plasma rico em fibrina (PRF) e plasma rico em plaquetas (PRP): revisão de literatura integrativa. Rev Foco (Brasília) [Internet]. 2025. May 2;18(5):e8520. doi: 10.54751/revistafoco.v18n5-064.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Flávia Lima Dias Pereira, A., Gonzaga Dos Santos Cardoso, L., & Soares Costa Santos, L. (2026). CONCENTRADOS SANGUÍNEOS AUTÓLOGOS NO MANEJO DE FERIDAS POR ENFERMEIROS: REVISÃO DE ESCOPO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2577