ESTOMIAS DE ELIMINAÇÃO E PROCESSO DE REABILITAÇÃO DOMICILIAR: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Gustavo Tonin Universidade Federal de São Carlos
  • Victória Fernandes Deliberali Universidade Federal de São Carlos
  • Andrea De Jesus Zangiacomi Universidade Federal de São Carlos
  • Maria Eduarda De Lima Martins Universidade Federal de São Carlos
  • Laís Fumincelli Universidade Federal de São Carlos

Palavras-chave:

Estomia, Reabilitação, Enfermagem, Autocuidado, Estomaterapia

Resumo

Objetivo

Descrever um relato de experiência sobre as vivências nos atendimentos a pacientes ao longo do ciclo de vida com estomias de eliminação em um ambulatório de enfermagem de reabilitação de um hospital universitário.

Desenvolvimento

Trata-se de um relato de experiência sobre as vivências no acompanhamento de pacientes adultos e pediátricos com estomias de eliminação em um ambulatório de enfermagem de reabilitação, vinculado a um projeto de extensão de uma universidade federal, desenvolvido em um hospital universitário localizado no interior do estado de São Paulo, Brasil. Desde 2020, foram atendidos 60 pacientes com estomias de eliminação, sendo 58 adultos e 2 crianças, acompanhados de seus respectivos cuidadores. Destes pacientes, 33 apresentavam colostomias, 20 ileostomias, 3 urostomias, 3 cistostomias e 1 ureterocistoneostomia. Os atendimentos foram realizados semanalmente, de forma presencial e/ou por teleconsultas, com retornos programados, por meio de uma equipe composta por estudantes de graduação e de pós-graduação, docentes de um Departamento de Enfermagem e enfermeiros de um hospital universitário, contando com o apoio de uma equipe multidisciplinar do hospital. Dos atendimentos realizados, utilizavam-se instrumentos padronizados e materiais educativos sobre o tema produzidos pela própria equipe sobre: o sistema digestivo e intestinal, os tipos de estomia de eliminação, orientações sobre a alimentação, os direitos da pessoa com estomia, os cuidados com a pele e a pele periestoma, os tipos de equipamentos e seus adjuvantes, treino e adaptação aos equipamentos durante os retornos programados, auxílio na obtenção de materiais na rede de atenção à saúde municipal, ações e orientações de advocacia em saúde, aplicação de práticas integrativas e complementares em Saúde, suporte ao autocuidado no domicílio, treinamento e capacitação dos cuidadores para auxílio nos cuidados da estomia no domicílio, identificação de complicações crônicas tais como lesões de pele e adaptação às atividades de vida diária com estomia de eliminação1-3. Desse modo, a equipe buscou promover a reabilitação do paciente com estomia de eliminação e, junto ao seu cuidador, capacitá-los nos cuidados no domicílio, bem como garantir os direitos e educar o paciente e os cuidadores, visando a uma melhor qualidade de vida4. Essas ações também permitiram a realização de estudos clínicos e a discussão de casos, assegurando cuidado qualificado, com base nas melhores evidências científicas. 

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

O Ambulatório possibilitou o processo de reabilitação desses pacientes e de seus cuidadores no período de retorno às atividades de vida diária no domicílio e no convívio em sociedade. Tais ações visavam à educação e à promoção da saúde, as quais, consequentemente, garantiram qualidade de vida e melhores resultados na adaptação desses pacientes à nova realidade vivenciada com uma estomia de eliminação. Além disso, este serviço é referência para os atendimentos multiprofissionais desses pacientes no município e promove atividades educativas junto à comunidade e aos profissionais da rede de saúde, contribuindo para a qualificação do cuidado às pessoas com estomias, bem como para um trabalho extensionista junto a estudantes de graduação e de pós-graduação da universidade.

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Biografia do Autor

Gustavo Tonin, Universidade Federal de São Carlos

Graduando do curso de Enfermagem na Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Integrante do projeto de extensão "Ambulatório de enfermagem em reabilitação neuropsicomotora" no Hospital Universitário (HU-UFSCar). Ligante da Empresa Junior de Enfermagem (Salus Jr.), assim, integrado na pasta Administrativa, Jurídica e Financeira (AJF).

Victória Fernandes Deliberali, Universidade Federal de São Carlos

Graduanda do curso de Enfermagem pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Atualmente, é bolsista do PIT HU-UFSCar, com o projeto intitulado "USABILIDADE E ACEITABILIDADE DA PLATAFORMA ENF-UROPED NO CUIDADO DE CRIANÇAS COM DISFUNÇÃO VESICAL E INTESTINAL". Membro do Projeto de Extensão em Reabilitação Neuropsicomotora: estratégias interdisciplinares para autonomia e autocuidado ao longo do ciclo da vida no Hospital Universitário - UFSCar. Em 2024, foi vice-presidente da Liga Interdisciplinar de Saúde Neonatal (LISNe-UFSCar), diretora de projetos na Salus Jr - Empresa Júnior de Enfermagem da UFSCar e fez parte da Extensão Universitária como monitora não bolsista da disciplina de Anatomia Humana no Laboratório de Anatomia da UFSCar. De 2022 a 2024, foi membro da área de enfermagem no Centro de Referência no Atendimento Interdisciplinar em Dor da Unidade de Saúde Escola (Clínica da Dor), sob coordenação de enfermagem Dra. Priscilla Hortense. De 2022 a 2023, foi membro da Liga Acadêmica de Saúde da Criança e do Adolescente (LASCA), da Liga Acadêmica Multidisciplinar de Oncologia da UFSCar (LiMOnco-UFSCar) e da Liga Interdisciplinar de Práticas de Cuidado Integrativo em Saúde (LIPCIS-UFSCar). Já fez parte como membro na pasta de marketing e comunicação do Centro Acadêmico de Enfermagem (UFSCar) em 2023.

Andrea De Jesus Zangiacomi, Universidade Federal de São Carlos

Graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF, 1999). Realizou Especializações em Enfermagem Obstétrica na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB, 2003) e em Atenção Básica em Saúde da Família na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2011). Realiza Pós-Graduação Lato Sensu em Enfermagem em Estomaterapia na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) desde 2024. É Enfermeira assistencial no Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar/EBSERH), da Unidade de Clínica Médica e Cirúrgica. Participa de Projetos de Extensão na linha de Reabilitação Neuropsicomotora: estratégias interdisciplinares para autonomia e autocuidado ao longo do ciclo da vida (Ambulatório de Enfermagem em Reabilitação Neuropsicomotora), desde 2022. Tem experiência profissional na assistência de enfermagem e gerenciamento em Saúde da Família, assim como em Enfermagem ambulatorial e hospitalar na Urgência e emergência, e em atenção especializada à saúde da mulher.

Maria Eduarda De Lima Martins, Universidade Federal de São Carlos

Graduanda em Enfermagem pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Participou da Liga Acadêmica Interdisciplinar de Oncologia (LIMONCO - 2022 - 2023). Participou como voluntária do Projeto Pontinha (2023). Atual Coordenadora Geral do Centro Acadêmico de Enfermagem (CAEnf, 2022 - atual), membro da Liga de Enfermagem em Urgência e Emergência (LAUEE, 2023 - atual), membro do Ambulatório de Enfermagem em Reabilitação Neuropsicomotora (2023 - atual) no Hospital Universitário, HU-EBSERH/UFSCa, mebro do grupo de pesquisas LASARE (2024 - atual).

Laís Fumincelli, Universidade Federal de São Carlos

Enfermeira graduada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP) em 2011. Doutora pelo Programa de Enfermagem Fundamental da EERP-USP (2016). Estágio de Pós-doutorado na Universidade de Brasília (UnB) (2023-2024), bolsista de Pós-doutorado Sênior - CNPq, sob supervisão da Profa. Dra. Gisele Martins. Exerceu a função de enfermeira no Hospital Escola Municipal - Prof. Dr. Horácio Carlos Panepucci, de São Carlos-SP, e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. É vice-líder do grupo de pesquisa ''Atenção à saúde urológica nos ciclos de vida'' (UnB) e membro do grupo de pesquisa ''Núcleo de Avaliação e Educação em Saúde'' (UFSCar). Tem experiência na área de Ciências da Saúde e Enfermagem, com ênfase em Qualidade de Vida, Eliminações Urinárias e Intestinais, Cateterismo Urinário, Estomais de Eliminação, Enfermagem em Reabilitação, Prática Avançada de Enfermagem e Simulação no Ensino e na Pesquisa. Atualmente, está como Professora Adjunta no Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf) da UFSCar. Coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e da Pessoa Idosa (PRMSAI/UFSCar) (2025-atual).

Referências

Dalmolin A, Girardon-Perlini NMO, Beuter M, Gomes ES, Moraes JT, Niestsche EA. Knowledge and practices of nursing professionals in caring for ostomates. Rev Bras Enferm. 2020; 73(Suppl 5). Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada em Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Guia de atenção à saúde da pessoa com estomia. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.

ZHANG, X. et al. Effects of hospital-family holistic care model on the health outcome of patients with permanent enterostomy based on the theory of 'Timing It Right'. Journal of Clinical Nursing, v. 29, n. 13–14, p. 2196–2208, 2020. DOI: 10.1111/jocn.15199.

​​SOÁRES-PINTO, I. E. et al. Nursing interventions to promote self-care in a candidate for a bowel elimination ostomy: scoping review. Aquichan, v. 22, n. 1, e2212, 2022. DOI: 10.5294/aqui.2022.22.1.2.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Tonin, G., Deliberali, V. F., Zangiacomi, A. D. J., Martins, M. E. D. L., & Fumincelli, L. (2026). ESTOMIAS DE ELIMINAÇÃO E PROCESSO DE REABILITAÇÃO DOMICILIAR: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2578