CONSTRUÇÃO DE CARTILHA EDUCATIVA PARA PESSOAS COM ESTOMIAS DE ELIMINAÇÃO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Estomaterapia, Inteligência Artificial, Ensino em EnfermagemResumo
Objetivo
Descrever a experiência da construção de uma cartilha educativa voltada para o cuidado, orientação e promoção da autonomia de pessoas com estomias de eliminação intestinal (ileostomia e colostomia).
Desenvolvimento
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, referente à elaboração de um material educativo desenvolvido como trabalho de conclusão do módulo de incontinências em um curso de especialização em Estomaterapia. A fundamentação teórica do material baseou-se em diretrizes, consensos e manuais nacionais e internacionais da área 1,2,3,4. A motivação para o projeto surgiu da identificação de lacunas nos materiais educativos existentes, que frequentemente não detalham o percurso e os desafios práticos que o paciente enfrenta após a alta hospitalar. A cartilha, composta por 34 páginas, foi redigida com linguagem simples e acessível ao público leigo. Para ilustrar o material sem expor imagens reais de pacientes ou marcas comerciais, optou-se pelo uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) na criação de desenhos e avatares, que se mostraram úteis para auxiliar o profissional no ensino em saúde. O conteúdo abordou a anatomia do sistema intestinal, a etiologia das estomias, os formatos do estoma, a identificação de complicações que exigem avaliação profissional, os tipos de bolsas e dispositivos, o descarte adequado de efluentes, orientações nutricionais, sexualidade e informações sobre o acesso aos polos de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e na saúde suplementar. O processo de avaliação do material ocorreu em duas etapas: primeiramente, uma avaliadora analisou a adequação dos termos e a paleta de cores; em seguida, duas enfermeiras especialistas avaliaram o rigor técnico do conteúdo e das imagens. Durante a confecção, observaram-se três limitações principais: as ferramentas de IA apresentaram dificuldades em reproduzir a lateralidade anatômica correta e impuseram restrições devido às suas políticas de uso; houve o desafio de compilar evidências científicas com vivências práticas que não constavam detalhadamente na literatura; e o tempo restrito de 30 dias impossibilitou a validação clínica completa do instrumento junto ao público-alvo.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A elaboração deste material educativo reforça o papel fundamental da enfermagem na educação em saúde, etapa essencial do processo de cuidar que promove a segurança do paciente na continuidade do tratamento. A integração de tecnologias como a IA para a criação de ilustrações, aliada a uma linguagem clara, demonstrou ser uma estratégia metodológica inovadora. No entanto, a experiência ressalta a importância de validar materiais educativos, especialmente aqueles com imagens detalhadas, para garantir a precisão e eficácia da comunicação. A IA pode ser uma poderosa ferramenta para a construção de recursos visuais, mas a supervisão e validação por especialistas são cruciais. Para a Estomaterapia, a cartilha representa uma ferramenta promissora para facilitar o processo de ensino-aprendizagem, auxiliando na adaptação da pessoa com estomia à sua nova condição de vida e qualificando a assistência prestada.
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Referências
Sociedade Brasileira de Estomaterapia (SOBEST). Diretrizes brasileiras para o cuidado e ensino em estomaterapia. São Paulo: SOBEST; 2019.
Paula MAB, Moraes JT. Consenso brasileño de cuidados a las personas adultas com estomias de eliminación. 1. ed. São Paulo: Ed. Pontocom; 2025.
Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 400, de 16 de novembro de 2009. Estabelece diretrizes nacionais para a atenção à saúde das pessoas ostomizadas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde; 2009.
World Council of Enterostomal Therapists (WCET). International Ostomy Guidelines. Perth: WCET; 2021.


